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'Black Ops 2' em português reforça mercado de games para dubladores

13 nov 2012
18h50
atualizado em 10/4/2013 às 16h11
Giuliander Carpes
Direto do Rio de Janeiro

Mesmo sendo vendido apenas em inglês, Call of Duty: Black Ops, lançado em 2010, se tornou um dos games mais vendidos da história. O fã brasileiro da franquia terá a oportunidade, a partir de 13 de novembro - data do lançamento internacional da sequência do jogo de tiro em primeira pessoa -, de ter uma experiência ainda mais marcante com a dublagem em português. O trabalho não é fácil e demorou dois meses para ser feito por profissionais experientes em filmes e seriados, mas novatos em games.

A maior dificuldade foi ambientar os personagens, já que os dubladores não tiveram acesso às imagens do jogo, como teriam caso fossem trabalhar num filme. "O game não tem vídeo. Você tem que imaginar o cenário. Aí o personagem fala: 'vai, atira!". Mas atira em quem? Para onde está indo aquele tiro? A arma é pesada? A dublagem tradicional daria esta muleta, mas o game, não", explica Julio Monjardim, 13 anos de profissão, filho de Mário Monjardim, responsável pela voz de personagens consagrados como Pernalonga e Salsicha (Scooby Doo). Ele fez a voz do personagem Farid do jogo.

A tradução das falas em inglês até a gravação e sincronização das passagens em português é um processo trabalhoso. Mas que, no caso de Call of Duty: Black Ops 2, também deu boa dose de prazer. Cacau Melo, que interpretou a voz em português de Misty, a única personagem feminina da série, que agora será ambientada em 2025 e vai mergulhar os jogadores em um conflito global com armas avançadas e equipamentos robóticos. Pela primeira vez na carreira, ela pode utilizar falas com palavrões e outras expressões que só teriam espaço num campo de batalha virtual.

"A Misty fala umas coisas sinistras. É diferente. Um tanto quanto assustador, mas muito divertido. Quando é que vou falar de novo uma frase como 'vou arrebentar o seu cérebro'?", diverte-se a dubladora. "Foi uma volta à infância. Lembrei-me das nossas brincadeiras de cowboy quando criança falando coisas como 'seu desgraçado, vou acabar com você!'", conta Gustavo Ottoni, que interpretou o protagonista da série, Mason.

Jogos em português têm tudo para ser uma tendência sem volta. Max Morais, diretor de vendas e marketing da Activision, empresa que publica os jogos da franquia Call of Duty, afirma que o interesse da empresa em oferecer uma versão dublada foi de dar uma experiência diferente para os fanáticos pelo jogo, mas também tentar atrair consumidores que não se interessavam pelo produto por não entenderem muito bem o enredo de sua trama complexa.

"A ideia não é regredir no esquema de dublagem. É um processo de evolução para darmos sempre uma experiência diferente para os fãs de games. E vamos manter em Call of Duty o padrão de qualidade dos demais lançamentos que já fizemos", explica Morais.

Enquanto o jogo não é lançado, os dubladores revelam uma grande ansiedade para ver o resultado final do trabalho. "Minha maior curiosidade é saber se os cenários que imaginava para o meu personagem vão ser os mesmos do game", diz o veterano Carlos Seidl, 65 anos, dono da voz em português de Harper. "Meu filho de 15 anos é fã da série e saiu espalhando para todos seus amigos que a voz do Mason seria a minha. Acho que é o trabalho que tenho mais expectativa para ver o resultado final. E já estou louco para jogar também", afirma Ottoni.

Call of Duty: Black Ops 2 terá versões em português nos jogos vendidos no Brasil para as plataformas Playstation 3 e Xbox 360. Para PC, PS Vita e Nintendo Wii U (console que ainda será lançado), haverá versões apenas em inglês. No modo multiplayer, a grande novidade do jogo será a possibilidade de jogar no modo zumbi, com mortos-vivos.

Fonte: Terra
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