Análise
The Hulk
 
André de Abreu
 
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O filme Hulk já deixou sua marca na história por ter o anúncio de estréia mais prematuro da história do cinema. Mais de um ano antes de seu lançamento já existia na internet um teaser anunciando o novo filme sobre o monstrão verde. Aparentemente, tanta expectativa não agradou no resultado final, pois os comentários da imprensa e dos espectadores não têm sido muito bons sobre o filme de Ang Lee. De qualquer forma, não nos cabe julgar o filme e sim o jogo que ele gerou.

  • Veja telas do game
  • Seguindo as tendências dos últimos blockbusters, a Vivendi Universal acaba de lançar o game Hulk, um jogo que mistura doses de adventure e infiltração com várias fases de puro quebra-quebra. Ao todo são 25 níveis baseados em acontecimentos posteriores aos mostrados na produção cinematográfica e recheados de novos inimigos oriundos dos quadrinhos. Mas, mesmo assim, durante o jogo o usuário retorna a vários cenários do filme, como o complexo militar subterrâneo.

    Apesar de uma maior variedade de personagens, eles não são diversificados o suficiente para garantir o entretenimento ao longo do grande número de fases, tornando as lutas um tanto repetitivas. Além disso, alguns inimigos simples oferecem uma dificuldade fora do comum, mesmo no nível mais fácil. Simples cientistas parecem mestres faixa-preta em jiu-jitsu tamanha a dificuldade de derrotá-los. Isso, obviamente, quando se está jogando como Bruce Banner.

    Ao longo do game a ação se alternar entre Banner e Hulk. As partes de Banner são as mais cansativas, pois ele não tem poder algum. A regra oficial é fugir dos inimigos, pois se decidir enfrentá-los o jogador vai acabar caindo no que discutimos no parágrafo anterior: dezenas de inimigos com uma resistência sobrenatural. Felizmente, a inteligência artificial deles não é das melhores, pois basta correr e se agachar atrás de algum caixote para despistá-los. A diversão mesmo é quando esses mesmos adversários irritam nosso pacato Banner e este se transforma em Hulk.

    Com a fera verde sobre controle o jogador poderá quebrar praticamente tudo no cenário e utilizar os escombros como armas. Os cenários são inteiramente interativos. É possível arremessar tanques, automóveis, pedaços de parede e tudo mais o que encontrar pela frente. Os inimigos, antes difíceis, agora são derrubados com simples socos ou com o encadeamento deles, formando golpes especiais e um sistema de combos que aumentam seu placar ao final do jogo. Além, disso, Hulk possui uma barra de energia extra que, quando cheia, dá a ele condições de executar golpes especiais e mais poderosos, com direito ainda a uma animação mais caprichada.

    Jogabilidade fácil até demaisSe por um lado os inimigos são duros na queda, a jogabilidade do game é tão simples que acaba tirando o grau de desafio de determinadas fases, principalmente aquelas em que Banner é protagonista. De tempos em tempos uma legenda aparece informando o que deve ser feito e em vários cenários existem setas indicando quais passos devem ser seguidos. Aqueles que compreendem inglês, já que o game não foi localizado para o português, acharão ainda mais fácil, pois em várias oportunidades Banner costuma pensar alto e dar indiretas sobre o que o fazer.

    Além disso, em vários momentos Banner precisará descobrir o código correto para acessar determinados computadores. Mas não se preocupe, de difícil essa tarefa não tem nada. O computador oferecerá duas linhas de números, o jogador só precisa desembaralhar a linha de baixo para deixá-la idêntica a de cima em 20 segundos e esse desafio se repete sem mudanças de dificuldade ao logo de todo o game.

    Os controles também são bem fáceis, mas requerem um gamepad analógico para poder usufruir 100% do jogo com conforto, já que o mouse é desabilitado e só é possível utilizar o teclado. O que atrapalha de vez em quando é a câmera automática, mas em Hulk esse problema é exceção, ao contrário de alguns games onde esse empecilho acaba estragando todos as qualidades de um jogo.

    Extras para os fãs

    Uma área que agradará muito aos fãs de Hulk é a de material especial. Lá é possível assistir aos trailers de cinema, um pequeno especial com os bastidores do filme, outro revelando o processo de produção do jogo e um último abordando os efeitos especiais utilizados na obra de Ang Lee.

    Para ter acesso a todo esse material basta ir jogando. À medida que o usuário progride no game novas opções no menu "Hulk Unleashed" ficarão disponíveis. Além disso, existem outros métodos alternativos. Durante as fases, Banner encontrará alguns computadores com a legenda "Code Input". Nesses locais é possível digitar alguns códigos disponibilizados no site do game. Por exemplo, para liberar o minidocumentário sobre os efeitos especiais utilizados no cinema basta digitar "nanomed" sem as aspas em um desses terminais.

    De qualquer forma, apesar da dificuldade dos inimigos ser muito díspar em relação a facilidade dos enigmas e quebra-cabeças, esse é um game que apreende muito a atenção do jogador pelo seu roteiro bem elaborado e envolvente. Além do mais, a alternância entre Banner e Hulk ajudam a acabar com a monotonia em certas partes do jogo. Obviamente, Hulk está longe de ser o jogo do ano, mas é uma ótima diversão.
     

    Magnet

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