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Jogos de guerra nunca foram o forte dos sistemas da Nintendo, mas desde que feitos com personagens cabeçudos, e com tiros coloridos e cheios de alegria, tudo é permitido em nome da diversão.
Battalion Wars compartilha do mesmo estilo visual de Advance Wars, um grande sucesso de guerra do Gameboy e Nintendo DS. Só que agora a jogabilidade tende bem mais para a ação que para a estratégia, sendo praticamente um jogo de tiro em esquadrão, com doses não muito sérias de tática.
As unidades parecem terem sido retiradas diretamente do jogo de estratégia do Gameboy Advance, e tudo é encantadoramente comum àquele universo redondo, limpo e bonito. Mas a guerra flui de forma bem diferente. Não existem turnos, você não fica pensando quais jogadas fazer para que posteriormente seja a vez do seu inimigo, e assim sucessivamente. Tudo acontece ali na hora, e muitas vezes não há tempo de pensar o que fazer, e sim sair para a batalha. Um mapa que permite pausar o jogo e estudar o terreno de batalha é o recurso estratégico mais útil e relevante agora.
Guerra pelo joystick
Com ênfase na ação, Battalion Wars passa a exigir também um controle rápido, simples e intuitivo. E este item foi trabalhado com competência pela equipe da Kuju Entertainment.
Você pode controlar uma unidade de cada vez, e as demais através de comandos pré-estabelecidos. Para poder fazer uso de todas as estratégias e controlar todas as unidades sem cometer algum erro que comprometa a missão, os botões do controle do cubo foram configurados de forma muito inteligente. Com o botão "C" você seleciona todas ou qualquer tipo de unidade que deseja utilizar. Com os botões X e Y define as ordens a serem dadas: atacar um alvo na mira, parar e defender o território, segui-lo, etc. Tudo isto com um simples apertar de botão.
Cada botão tem sua função única, e felizmente não existem aquelas combinações terríveis que ao invés de apresentar mais recursos ao jogador, só o confunde mais. Até a movimentação da câmera é prazerosa e, mesmo com os empecilhos normais de um cenário 3D, não compromete o jogo. Com um clique você pode mudar o ângulo de visão de terceira pessoa para cima do campo de batalha facilitando todo o estudo do terreno e promovendo melhores estratégias a serem tomadas. Com outro você pode girar a câmera visualizando em terceira pessoa tudo a sua volta.
Tudo foi feito de forma a facilitar a vida do jogador, sem comprometer a complexidade necessária de comandos de um jogo de ação e estratégia em tempo real.
Vamos à batalha
Battalion Wars começa bem chato. A primeira missão é praticamente um tutorial bem simples e óbvio, feito pensando no mais casual dos jogadores. E dando continuidade às missões, tem-se a impressão que você ainda está participando do tutorial, tão simples e cheias de instruções são as batalhas. Uma a uma, elas vão lhe apresentando as novas unidades e suas características, mas sem aquele toque de diversão e criatividade que se esperava. Um pouco decepcionante.
É necessário um pouco de perseverança até chegar ao ponto em que as missões se tornam bem desafiadoras e atraentes. Neste estágio, passar por elas exigirá do jogador muito mais que um simples apertar de botões ordenando as unidades a atacarem o alvo, mas sim a adoção de um estratégia certa e por que não dizer, ousada.
Cada unidade tem seus pontos fracos e fortes, eficiências contra alguns inimigos e fragilidades gritantes em confronto com outros. Se você tem um batalhão de soldados, por exemplo, e ordená-los que metralhem um tanque, provavelmente você assistirá seus homens serem aniquilados graças à blindagem do tanque. Já um único bazuqueiro pode ser o que basta para parar um blindado desses.
Como toda unidade é vulnerável a alguma outra, no estilo pedra, papel e tesoura, o problema aumenta quando o inimigo tem um exército misto. Aí você tem que usar de inúmeras estratégias como atirar e correr para atrair uma certa unidade para a emboscada, ou o simples fato de usar o cenário para obter vantagem num tiroteio. É possível utilizar pedreiras, árvores e outros objetos do cenário como cobertura num tiroteio aumentando em muito o poder defensivo de suas unidades. A criatividade é o diferencial.
E mesmo valendo-se de todos estes recursos, as batalhas não são tão fáceis como se parece. A inteligência artificial é um ponto forte do jogo. Os bazuqueiros inimigos certamente priorizarão como alvo seus tanques; os soldados inimigos também irão se proteger com o que o cenário lhes oferecer; e nunca o inimigo agirá de forma kamikaze, se lançando inocentemente contra você.
A inteligência artificial é algo que funciona em Battalion Wars e que o torna muito desafiador. E por ser tão presente e desafiadora, acaba potencializando um grande defeito: você só pode salvar seu progresso no jogo ao fim das missões.
É terrível aniquilar os inimigos por todo o cenário numa batalha bastante duradoura e, ao final da missão, no último confronto ser destruído pelo inimigo e ter que começar tudo do zero. E o problema se agrava por existirem missões com tempo cronometrado, quando temos que cumprir os objetivos sem erro e correndo contra o relógio, o que tende a ser bem estressante. Alguns "checkpoints", caso existissem, aliviariam bastante o sufoco das missões, mas infelizmente não é o caso.
Battalion Wars oferece vinte missões e longevidade na medida certa, mas a ausência de um modo multiplayer, tão comum em jogos de guerra e estratégia, é algo a ser lamentado.
Battalion Wars é um jogo interessante, que consegue misturar bem os estilos ação e estratégia em tempo real com um controle fácil e intuitivo. A falta de uma opção de gravar durante os confrontos e ausência de um modo multiplayer pesam contra, mas no geral é uma guerra divertida, que os usuários do Gamecube devem experimentar.
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