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Jogos no estilo de Monkey Island, Syberia e Myst podem estar fora de moda no PC, mas não há pretexto melhor para explorar os recursos do Nintendo DS que um "adventure point and click".
Em Another Code: Two Memories - um "romance de mistério tocável" segundo a Nintendo - a caneta stylus tem a mesma função de um mouse, e as duas telas e o microfone do portátil servem para viabilizar puzzles pra lá de imaginativos, dando um toque de originalidade ao gênero popularizado pela LucasArts uma década atrás.
Um DS na mão e uma idéia na cabeça
Jogamos no papel de Ashley Mizuki Robbins, uma garotinha de 13 anos que vai parar na ilha de Blood Edward, depois de receber de seu pai -- que ela imaginava ter morrido dez anos atrás - um Nintendo DS (no jogo, considerado um muito útil minicomputador) acompanhado de uma mensagem marcando um encontro.
Chegando à ilha acompanhada da tia Jessica, a menina descobre que seu pai desapareceu, então parte em uma aventura para reencontrá-lo e ainda descobrir os motivos da morte de sua mãe, anos atrás. A história vai parar em um mistério envolvendo a manipulação da memória, e ainda tem um toque sobrenatural, com um fantasminha, bem camarada, atuando como coadjuvante na busca de Ashley por lembranças de um passado traumático.
É uma história interessante e que serve bem para um "adventure", mas os maiores méritos de Another Code: Two Memories estão na arte e na interface de jogo. Na tela de baixo do DS, controlamos Ashley em um cenário tridimensional, enquanto a de cima mostra detalhes do cenário com imagens pré-renderizadas e interlúdios cinematográficos. Uma lupa no canto da tela indica que podemos dar um "zoom" e observar com detalhes uma determinada parte do cenário para encontrar objetos e solucionar puzzles.
Tudo funciona muito bem. A movimentação e todas as ações de Ashley podem ser feitas tanto pela caneta quanto pelo direcional e botões de forma muito rápida e intuitiva. A exploração dos ambientes também é rápida e sem estresse pela tela sensível ao toque do DS. E a versão do portátil usado por Ashley ainda tem capacidades de câmera fotográfica, que serve para ajudá-la a resolver alguns enigmas.
Another Code também chama a atenção pela arte, sempre muito coerente na mistura de visuais poligonais e pré-renderizado, e com uma protagonista que provavelmente é a mais "cute" e simpática já vista num videogame.
Mansão dos puzzles
Como um "romance de mistério tocável", ou simplesmente um "adventure", Another Code é competente e fiel às premissas do gênero, inserindo uma história interessante e boas dose de enigmas em um convincente clima de mistério. Mas alguns puzzles de difícil dedução, algumas rotinas maçantes e a pouca durabilidade comprometem.
A maior parte dos puzzles é intuitiva, no estilo "survival horror" de decifrar um código para abrir uma porta ou coisa parecida. Porém, o jogo arrisca alguns enigmas envolvendo os recursos das duas telas e microfone do DS que, embora sejam super criativos, são também muito difíceis de deduzir, o que acaba ocasionando sérias "empacadas". Para citar apenas um (salte para o próximo parágrafo caso queira preservar a surpresa)... temos uma folha com um desenho incompleto e, para resolver o enigma, é necessário aplicar um carimbo fechando o DS como se a tela de cima fosse o próprio carimbo que irá marcar a folha, mostrada na tela de baixo.
E com a maior parte do jogo se passando em uma mansão, a rotina de vasculhar cada ambiente, revirar gavetas e observar cada prateleira de dezenas de armários tende a ser um bocado tediosa. Ashley, sendo uma menina muito bem educada, também se recusa a tirar itens do lugar até que tenha descoberto uma utilidade para eles, portanto somos obrigados a explorar alguns ambientes repetidas vezes.
Como a maioria dos jogos do Nintendo DS, Another Code é bastante curto, durando de 6 a 7 horas em média para ser completado, e não tem extras ou incentivos para uma segunda jogada. Segundo seus produtores, é proposital e está dentro da filosofia de acessibilidade e diversão descompromissada do DS.
Another Code atualmente está disponível no Japão e Europa. Uma versão americana sai em setembro, com o título Trace Memory.
Another Code seria um "adventure" comum não fosse uma direção de arte acima da média e a boa oportunidade de uso dos recursos do Nintendo DS. Para quem se interessa por um estilo de jogo mais lento, tranqüilo, resolvendo puzzles e curtindo uma história de mistério no conforto de um portátil, são seis horas de cliques que certamente valerão a pena.
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