Análise
Pac-Pix
 
Bruno Abreu
 
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Super Mario deveria continuar jogando tênis e andando de kart, pois Pac Man agora é o verdadeiro mascote símbolo do Nintendo DS. Ou pelo menos seu jogo, Pac-Pix, é o que melhor representa o conceito de inovação pregado pela Nintendo ao oferecer um portátil de duas telas e "touch-screen".

Pac-Pix sempre existiu como uma boa idéia para a tela sensível ao toque do DS. Há um ano, na E3, era um demo tecnológico onde fantasmas perambulavam pelo cenário de uma folha de um caderno, e o jogador desenhava Pac-Mans para persegui-los e comê-los. O produto final é bem mais complexo que isso. É um jogo de verdade, com fases que evoluem gradativamente para puzzles bem mais complexos que o simples ato de desenhar Pac-Mans. Até confrontos com "bosses" existem.

Caneta mais poderosa do que a espada

Pac-Pix também tem uma história, e ela conta que uma vez, um mago mal intencionado desenvolveu uma "tinta fantasma" que lhe permitiu desenhar criaturas terríveis para assombrar as páginas dos livros. Foi então que Pac-Man contra-atacou usando a "caneta fantasma" para desenhar a si próprio nas páginas e dar inicio a uma orgia ectoplasmática, comendo os fantasmas e salvando os livros da maldição.

Empunhando a caneta mágica "stylus" ¿ no nosso caso, este belo souvenirque acompanha a edição limitada do Pac-Pix ¿ o jogador abre o livro para encontrar as duas primeiras páginas já infestadas dos mais vis espectros. A página mostrada na tela de baixo é a mais importante. Nela podemos desenhar o Pac-Man e outras formas, sempre com um traço contínuo, para que o jogo possa identificar sem problema o que queremos.

Desenhamos a célebre forma de pizza do nosso herói e imediatamente a figura ganha vida e sai andando, com a boca abrindo e fechando, a fim de comer um fantasminha básico. Desde o começo, também podemos desenhar retas para definir o rumo que o Pac-Man irá seguir, e até usar a caneta para segurá-lo ou puxá-lo para trás um pouquinho. Na tela de cima temos basicamente um túnel para onde podemos guiar Pac-Man em um breve passeio, e onde de vez em quando aparecem frutas, vidas ou mesmo fantasmas aguardando para serem comidos.

Os primeiros estágios de Pac-Pix são bem simples e, embora divertidos, servem mais para instruir e ambientar o jogador. Mas com o tempo, surgem novos itens para serem desenhados como flechas que são disparadas para romper as bolhas que protegem alguns fantasmas e bombas que quebram paredes. Os cenários ganham complexidade com chaves que abrem e fecham o acesso à tela de cima, velas que podem ser usadas para acender as bombas e espelhos que desviam a trajetória das flechas para acertamos lugares aparentemente inatingíveis. Os fantasmas também evoluem para formas mais espertas. Alguns podem driblar Pac-Man ou se teletransportarem para o outro lado da tela, outros sujam a tela de tinta para atrapalhar nossos desenhos, outros vêm com escudos, obrigando Pac a comê-los pela retaguarda (no bom sentido). E o que é mais legal: a cada dois capítulos dos doze disponíveis temos confrontos muito criativos e divertidos com "chefes" de fase ¿ o primeiro deles é um fantasmão lilás, e a solução então é desenhar um Pac-Man com uma boca enorme para conseguir abocanhá-lo. A cada capítulo completado em Pac-Pix, o jogador tem certeza que será surpreendido com algo diferente no próximo.

O Come-Come de US$ 45

A Namco abusou da criatividade e conseguiu produzir uma pequena jóia para a biblioteca de jogos do Nintendo DS, porém, esse esforço não justifica o preço de 45 dólares de um jogo que é, por natureza, bastante curto e perecível. Pac-Pix contém essencialmente um modo de jogo com doze capítulos -- mais um segundo livro "remixado" e mais difícil, mas que não agrega tanto ao fator longevidade ¿ além de uma tela para praticar desenhos livremente. Dá para completar tudo em um fim-de-semana.

O único defeito de Pac-Pix é esse. Temos um jogo de pouca duração, brilhante, mas num estilo ao qual pertencem os jogos de US$ 20 a US$ 30. Uma pena, pois é um dos poucos jogos atuais do Nintendo DS capazes de demonstrar a graça do portátil.

Pac-Pix está perfeitamente de acordo com o mantra da Nintendo de trazer experiências originais, únicas e totalmente diferentes dos outros videogames aos jogadores do Nintendo DS.

O jogo parte de um conceito muito simples, onde toda interação com o ambiente é feita através de desenhos pelo próprio jogador, mas se revela bastante profundo e cada vez mais criativo. O único defeito é o preço de US$45 cobrado pela Namco, mas se você aprecia idéias novas e está disposto a entender a razão de ser do Nintendo DS, dê uma chance a Pac-Pix.
 

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