Análise
Singles 2: Triple Trouble
 
Daniel Ventura
 
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Singles ganhou notas mais que decentes pelo seu atrevimento de mostrar cenas explicitamente sexuais em um mercado tremendamente puritano no que se refere a sexo. Seu sucessor faz o mínimo para não ser considerado uma expansão, e já não conta com o fator novidade.

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  • O certo é que se você jogou Singles original, a maioria das coisas vai parecer tremendamente conhecida. Muito conhecidas, na verdade: é que as novidades podem ser contadas nos dedos da uma mão.

    Para quem não conhece o original, faremos um pequeno resumo: Singles é um jogo do tipo "sim", no qual o objetivo é levar para a cama (ou para a hidro) a(s) pessoa(s) desejada(s). Para isso, falaremos até cansar sobre temas mundanos, românticos ou picantes, enquanto seguimos uma rotina de trabalho, tarefas domésticas e necessidades vitais que são o que nos impede de terminar o jogo em um par de horas.

    No Singles original simplesmente chegávamos a uma casa que dividíamos com outra pessoa, do mesmo sexo ou do sexo oposto (também há casais homossexuais, embora não saibamos se é permitido que eles se casem). No Singles 2, dividiremos com duas pessoas (do mesmo sexo ou não). E antes que você pergunte, não, não há a opção de "menage à trois". Então, qual é a graça de haver três pessoas em casa? Só podemos pensar é que o ou a protagonista terá o dobro de chances ganhar o gato ou gata... Mas vamos ver o que há em Singles 2.

    Comecemos pelo que é igual ao primeiro Singles. O sistema gráfico não parece ter sofrido mudanças, e continuamos a ter alguns personagens que parecem manequins de plástico. Sendo um jogo que busca, de certo modo, "esquentar" o jogador, isso não ajuda muito. Segue-se tendo o mesmo tipo de casas, e quase todos os objetos já tinham aparecido no jogo anterior, ainda que haja algumas novidades interessantes e interativas, como a hidromassagem.

    A maneira de interagir segue sendo a mesma, com as mesmas conversas, abraços, piadinhas... tudo temperado com duas ou três "atividades" novas, que são mais engraçadas do que propriamente novidades.

    A cada dia poderemos ir cultivando nossa relação com os habitantes da casa ou com as pessoas que encontrarmos no bar, e à medida que a relação vai melhorando aparecem novas opções que permitirão progredir até uma relação mais íntima.

    Ainda que o jogo apresente rapidamente quatro dos seis personagens novos (duas mulheres e dois homens), o certo é que os outros são os mesmos da primeira parte. Também é certo que suas características não são suficientemente diferenciadoras, ou seja, dá no mesmo escolher um ou outro.

    Mas nem tudo é exatamente igual, e em Rotobee seguiram o exemplo de Sims 2, acrescentando um modo história no qual deveremos cumprir determinadas tarefas para avançar na relação com a pessoa que queremos transar.

    Também foi decidido que nossos Singles terão uma vida fora da casa, acrescentando um bar com um barman compreensivo e simpático, onde poderemos encontrar parceiros "extradomésticos". De fato, é possível até alugar um pequeno apartamento ao lado de casa para encontros de uma noite. Com quem? Com os personagens que não escolhemos para ficarem conosco em casa.

    Outra novidade é o modo "Sessão de fotos", no qual podemos mexer em nossos personagens pelas articulações, dando-lhes diferentes expressões faciais, para que façam o que queremos. Os resultados podem ser engraçadíssimos.

    Resumindo, Singles 2 é um jogo do qual se poderia tirar muito mais proveito, mas que se limita a oferecer uma quantidade bastante tacanha de melhorias e novidades para explorar a fatia de mercado que não conheceu a primeira parte.

    Mesmo assim, vale aplaudir a valentia de colocar no mercado um jogo com essas características. Mas é certo que, se o Singles foi a revolução sexual do videogame, todo cheio de fogo e novidade, o Singles 2 é o casamento que não se interessa por fazer nada de novo. Veremos o que acontecerá com Singles 3... se chamará "Orgias"?
     

    Terra Espanha

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