Análise
Sonic Rush
 
Felipe Menezes
 
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Depois de correr pelos consoles tradicionais em cenários tridimensionais, Sonic aparece em sua primeira aventura para Nintendo DS no estilo clássico: movimentando-se em um cenário 2D, com objetivos que simples de ir do ponto A ao B, e em velocidades dignas de um jogo de corrida futurista.

Sonic e Sonica

O enredo de Rush é simples como em todo jogo de Sonic, se resumindo à eterna luta do herói azulado contra Eggman. O vilão, que ainda busca o poder supremo para dominar o mundo, agora está coletando umas esmeraldas diferentes, chamadas de Sol, e se auto-intitula Eggman-Nega. Sem saber direito o que está acontecendo, mas percebendo as más intenções do seu inimigo, cabe a Sonic seguir Eggman e tentar impedi-lo.

Uma história paralela também acontece, com a novata e misteriosa Blaze the Cat sendo a personagem principal jogável. Como é a guardiã das esmeraldas Sol, Blaze também está atrás de Eggman e deve cumprir missões por caminhos diferentes de Sonic, na tentativa de parar o vilão.

A presença desta nova personagem é interessante, mas não traz uma jogabilidade diferenciada ou algo de realmente novo ao jogo, uma vez que Blaze tem as mesmas habilidades, velocidade e movimentos de Sonic. A diferença entre os dois é só na aparência.

Rush hour

Sonic Rush volta ao 2D, em um estilo parecido com o dos primeiros jogos do porco espinho lançados no Mega Drive/Genesis na década de 90. Existem algumas novidades, como a personagem jogável extra, chefes cheios de criatividade e mais opções de obstáculos para transpor, mas a premissa é a mesma: sair correndo pelos cenários pulando espinhos, girando em loopings, descendo ladeiras, passando por túneis, coletando anéis e matando alguns inimigos.

E os jogos de Sonic sempre foram famosos pela velocidade, mas Rush consegue ser ainda mais rápido, o que tem seus pontos positivos e negativos. Ao mesmo tempo em que é bacana vê-lo correndo como um foguete pelos cenários, a jogabilidade se torna uma pouco limitada demais. Em grande parte das missões, a maior parte do tempo é gasto apenas segurando o direcional para esquerda ou direita, enquanto o nosso herói transpõe, praticamente sozinho, todos os obstáculos, subindo, descendo, pulando em trampolins e passando por loopings. Dá uma sensação de que estamos em uma montanha russa, e muitas vezes nem dá para acompanhar ou entender direito o que está acontecendo.

Essa velocidade exacerbada faz com que o jogador perca um pouco o ritmo e a noção de espaço, e não consiga executar um salto ou parar o personagem quando um abismo ou inimigo aparece. O resultado disso é uma seqüência de tentativas e erros, uma vez que você acabará morrendo quando encontrar um buraco pela primeira vez para, na próxima vida, saber que deve interromper a correria naquele ponto exato para pulá-lo.

Quando não estamos acelerando, a jogabilidade se mostra agradável e bem retrô, no estilo dos jogos clássicos da série, em 2D. Existem várias plataformas para transpor e os inimigos são mortos com um pulo na cabeça ou quando o personagem abraça seus joelhos e vira uma bola de espinhos, característica que qualquer fã de Sonic está careca de conhecer. No final de cada missão, ganhamos pontos relativos ao tempo gasto para o seu cumprimento, o número de anéis coletados no final e a quantidade de acrobacias feitas. As acrobacias em questão são executadas por um simples apertar de botões enquanto Sonic está no ar.

Sonic Rush é dividido em zonas temáticas, sendo que cada uma tem 3 atos: 2 fases normais e um confronto com chefe. Apesar de terem layouts diferentes, estas duas fases de cada zona são muito parecidas, com os mesmos tipos de obstáculos. As novidades ficam mesmo para os confrontos com os chefes, que na verdade são invenções robóticas controladas por Eggman. Os cenários se tornam limitados, os chefes têm uma movimentação em 3D interessante e somos obrigados a acostumar com seus ataques e descobrir seus pontos de vulnerabilidade. Esses confrontos são bem bacanas e servem como um ótimo alívio para a correria das fases.

Sem tocar ou soprar o microfone

A utilização das funções particulares do Nintendo DS em Sonic Rush é limitada. A tela sensível a toque e o microfone não são explorados, e as duas telas não acrescentam muita coisa na experiência geral do jogo, funcionando como extensões uma da outra. A ação muda de uma tela pra outra quando Sonic e Blaze descem ladeiras ou são arremessados para cima.

O visual de Rush é interessante. Os cenários são repletos de cores e de vida, em 2D muito detalhado e com velocidade simplesmente insana. Mas o destaque neste quesito fica para a ótima animação de Sonic, Blaze e dos chefes.

O modo multiplayer é simples como o jogo e serve apenas para dois jogadores se divertirem apostando corridas pelos cenários que já vimos no modo principal. Fora alguns ¿power-ups¿ para pegar, que diminuem a velocidade de um dos jogadores ou leva o primeiro para a segunda colocação, não há nada mais para fazer.

Sonic Rush não se preocupa em trazer novidades à série, e sim em trazer de volta tudo de bom que fez muito sucesso no passado, como jogabilidade simples e o estilo visual que mais funciona: em duas dimensões. Pena que a Sega preocupou demais em acelerar o jogo e esqueceu de adicionar alguns elementos e objetivos mais variados.
 

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