Análise
Animal Crossing Wild World
 
Bruno Abreu
 
Busca
Busque outras notícias no Terra:
Você alguma vez sonhou em viver em uma cidade povoada por animaizinhos falantes, sem fazer muito além de decorar a casa, escrever cartas e admirar o céu? Procure um médico se você respondeu sim. Ou então experimente Animal Crossing no Nintendo DS.

Esta nova versão do simulador de vida da Nintendo traz as mesmas características do jogo lançado para o Gamecube três anos atrás, mas com alguns itens e tarefas a mais, além de uma opção inédita de interação com outros jogadores via Nintendo WiFi Connection. Fora isso, é o mesmo jogo sem fim de antes, uma lenta rotina de realizar pequenas tarefas para ganhar dinheiro, pagar a hipoteca e investir na personalização do seu personagem e da casa.

Festa na floresta

A vida não mudou na pequena vila de Animal Crossing desde a versão para o Gamecube. Tom Nook, o guaxinim, ainda é o comerciante local e o animal que irá ajudá-lo a se estabelecer, cedendo-lhe um teto a ser pago em suaves prestações e oferecendo uma oportunidade de emprego em seu armazém.

A primeira tarefa é plantar algumas mudas e sementes que irão, mais tarde, desenvolver árvores frutíferas ao redor da loja de Nook. A rotina nunca fica mais complexa que isso, mas há uma enorme variedade de coisas para se fazer em Wild World, como comprar uma rede para caçar insetos, uma vara de pescar, tela para desenhar estampas para roupas, machado para podar árvores ou, como uma das poucas novidades, desenhar constelações no céu.

Há também a parte social. Alguns animais escolhidos aleatoriamente povoam a vila e mantém rotinas parecidas com as suas: dormem, passeiam, conversam, escrevem cartas e compram itens para decorar suas casas. O jogador pode encontrá-los perambulando pela floresta, ou visitar suas casas para bater um papo e saber se eles precisam de alguma coisa, sempre em troca de algum dinheiro, é claro.

A graça de Animal Crossing está em sua associação com o tempo real. Usando o calendário e relógio do Nintendo DS para simular um dia de verdade na vila, o jogo evolui lentamente e apresenta variáveis interessantes condicionadas à hora e ao dia em que se joga. Jogando alguns minutos de manhã, por exemplo, o jogador verá alguns animais saindo de suas casas e até certas alterações de humor nos diálogos; perto das 21h00, os peixes e insetos já não serão os mesmos de cedo, e muitos dos habitantes da vila já estarão fechando as portas e indo dormir, a não ser, obviamente, ser pela coruja que mantém o museu da cidade. Alguns sofrem de insônia e fazem uma caminhada noturna, outros ficam em casa ouvindo uma musiquinha na vitrola, mas é certo que durante a madrugada haverá pouco para se fazer na pacata vila de Wild World. Datas como o dia do seu aniversário, natal e ano novo são comemoradas com eventos especiais.

Animal Crossing é um compromisso a longo prazo, um jogo para ser apreciado em curtas sessões diárias, por meses ou anos. Não há muitos estímulos em sua rotina mundana para justificar o investimento de mais que alguns minutos diários -- tempo suficiente para conversar com a meia dúzia de animais que habitam a vila, escrever uma cartinha e esperar pela resposta no dia seguinte.

Mas mesmo sem grandes emoções, Wild World agrada. O jogo tem alma, é muito ¿bonitinho¿, bem produzido, rico em opções de personalização e cheio de curiosidades.

Turismo on-line

Wild World é um jogo feito sobre a base de Animal Crossing do Gamecube, sem qualquer ambição em inovar. Visualmente é muito parecido, embora agora haja um efeito 3D que coloca todo o cenário como se estivesse embrulhando uma esfera, com objetos sumindo aos poucos no horizonte. Há também uma clara diminuição na complexidade dos modelos poligonais, mas não compromete o resultado final. Visto na telinha do DS, o jogo fica até mais charmoso, ou por que não dizer, ¿bonitinho¿.

A tela sensível ao toque e caneta stylus dão alguma agilidade a mais na hora de navegar entre os menus de opções, mas fora isso, não há nada que não se possa fazer pelo direcional e botões tradicionais. Já as duas telas do DS são usadas sem muita criatividade: na maior parte do tempo, a de cima mostra o céu; e quando os menus são acessados, a de cima passa a mostrar o cenário e o personagem.

Outras novidades, como novos personagens, itens e algum polimento extra nas conversas e no processo de identificar fósseis, são superficiais.

O aspecto mais inovador desta versão deveria ficar por conta dos recursos on-line, através da conexão WiFi. Mas, assim como aconteceu com Mario Kart DS, este aspecto é limitadíssimo e muito mal aproveitado.

Pela função ¿Imigração¿, é possível abrir o portão da cidade e fazer uma visita à cidade de um amigo. O objetivo é conhecer novos animais, conversar ou pegar um o outro item diferente. Funciona exatamente como na versão do Gamecube, só que desta vez no lugar de dois memory cards e dois Gamecubes, é possível simplificar o processo pela conexão on-line.

Além de não oferecer nada de realmente novo, e de ser um tanto limitado nas possibilidades de interação com outros jogadores, o modo on-line traz um inconveniente desnecessário: só é possível fazer a conexão com amigos, tendo cadastrado o ¿friend code¿ de cada um em seus respectivos DSs. A intenção é boa: a Nintendo quer evitar que estranhos e meliantes virtuais entrem na sua cidade para escrever palavrões nos quadros de mensagem, cortar todas as árvores ou fazer outras bagunças, mas infelizmente acaba limitando o uso e a graça dos recursos on-line. Seria bom poder conhecer cidades aleatórias on-line, ou simplesmente poder interagir com outros mesmo quando não se tem um amigo disponível.

Wild World é basicamente uma conversão de Animal Crossing do Gamecube, sem grandes novidades e sem evoluir muito o conceito. A opção de conhecer a cidade de um amigo on-line, que seria a novidade mais interessante, é limitadíssima e não muito diferente do que se fazia com dois ¿memory cards¿ no jogo anterior. Mesmo assim, ainda é um simulador de vida muito simpático, interessante e que foi beneficiado pela portabilidade, uma vez a rotina de jogar diariamente e por curtos períodos torna-se bem mais agradável com o jeito ¿on the go¿ do Nintendo DS.
 

Outer Space

publicidade