| Playstation | |||||||||||||||
|
|||||||||||||||
| Nina Bernstein |
|||||||||||||||
A morte, em 007, de Boubacar Bah, um alfaiate da Guiné detido em uma prisão de Nova Jersey por estar nos Estados Unidos há mais tempo do que seu visto permite, provou que a detenção de pessoas acusadas de delitos de imigração é um dos cantos mais sigilosos da vida norte-americana. Mas agora a história de Bah está sendo contada de maneira pública incomum: em um jogo na Internet. » Jogo online é acusado de incentivar ataque a muçulmanos» Game ensina como agir em ataques terroristas » Fórum: opine sobre o jogo O jogo, criado pela Breakthrough, uma organização internacional de defesa dos direitos humanos sediada em Nova York que está tentando angariar apoio público a uma fiscalização mais forte do que acontece nos centros de detenção, usa a história da Bah para conduzir os jogadores uma visita a um centro de detenção simulado e ao sofrimento documentos de muitos outros detidos. Entre eles está uma mulher grávida que teve de fazer seu parto algemada e um veterano do exército que passou três anos detido enquanto combatia a deportação. O videogame (disponível em http://66.232.104.66/homelandgitmo A estrutura de ficção ignora as regras tradicionais do jornalismo - o repórter aceita um emprego como guarda do centro e escreve um apelo por mudança em primeira pessoa, e não uma reportagem -, mas o conteúdo que ele encontra ao longo do caminho é sustentado por links a artigos reais de jornais, documentos judiciais e outros materiais factuais. Mallika Dutt, diretora executiva da Breakthrough, disse que o jogo, parte de uma campanha via web chamada End Homeland Gitmos, foi inspirada por uma reportagem do New York Times sobre a morte de Bah, em maio de 2008. O artigo mencionava documentos internos da Corrections Corp. of America, a empresa privada que opera o centro de detenção de Elizabeth para o governo, afirmando que depois que Bah foi ferido, terminou deixado em uma cela de isolamento sem qualquer tratamento por 13 horas. A família do detido não foi notificada sobre a situação durante cinco dias. Depois de quatro meses em coma, Bah morreu em maio de 2007, a despeito de uma cirurgia cerebral de emergência. Funcionários do serviço federal de imigração afirmam que uma revisão da morte está em curso. Kelly Nantel, porta-voz do Serviço de Imigração e Alfândega, afirmou na quinta-feira que o jogo era "um trabalho de ficção que desumaniza os indivíduos representados e distorce grotescamente as condições que prevalecem nos centros de detenção". "Acredito que a maioria das pessoas informadas sabe que a realidade fica na porta quando entram no mundo de um jogo", acrescentou. Misturar fato e fantasia é território familiar para a Breakthrough, que tenta galvanizar apoio entre os jovens utilizando novas ferramentas da cultura popular e colocá-los no papel de imigrantes legais e ilegais. Em fevereiro, a organização lançou o "ICED", um jogo no qual os participantes representam um de cinco personagens com status incerto diante das autoridades de imigração, que lutam para evitar a deportação e garantir cidadania. Dutt disse que o jogo, que atraiu grande atenção da mídia, foi baixado 110 mil vezes. Alguns defensores de medidas de fiscalização mais severas classificaram o esforço como propaganda em favor da imigração ilegal. Mas muitas organizações educativas, religiosas e defesa dos imigrantes o adotaram como antídoto para "Border Patrol", um jogo de Internet no qual o participante atira contra caricaturas de latinos que tentam atravessar correndo a fronteira entre México e Estados Unidos. "As medidas de policiamento do Departamento de Segurança Interna se tornam mais e mais draconianas, e conduzem a conseqüências graves, como a morte, para muitas pessoas", afirmou Dutt em mensagem de e-mail esta semana, acrescentando esperar que o jogo conquistasse apoio a um projeto de lei recentemente apresentado que criaria proteção legais aos alvos de ações de repressão à imigração ilegal e imporia padrões juridicamente protegidos de cuidado com os detidos. Um projeto foi apresentado no Senado por dois democratas, Ted Kennedy de Massachusetts e Robert Menendez, de Nova Jersey; outro foi apresentado na Câmara sexta-feira pela deputada Lucille Roybal-Allard, democrata da Califórnia. Outro projeto de lei, a chamada Lei de Informação sobre Mortes em Custódia, estava destinado a rápida aprovação no Congresso, mas o senador republicano Tom Coburn, do Oklahoma, bloqueou a medida. Em 25 de setembro, o Comitê Judiciário do Senado não só aprovou como expandiu a proposta, acrescentando os centros de detenção da imigração às cadeias estaduais e locais que terão a obrigação de reportar a morte de pessoas sob custódia ao Departamento da Justiça, se desejam receber verbas federais de policiamento. Coburn afirmou que o governo federal não devia impor normas a estados e municípios. Joanne Lin, assessora jurídica da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), estava entre os partidários da lei que expressaram frustração com o atraso. "Se a lei não for reinstaurada, não teremos nenhum procedimento formal de informação sobre mortes em vigor", ela disse. "Agora teremos de depender de informações informais sobre a morte de cidadãos norte-americanos prisioneiros bem como de detidos em casos de imigração". No novo jogo, essa rede de informações informais termina por levar à criação de uma "parede memorial" na qual estão inscritos os nomes de 87 detidos que morreram em custódia das autoridades de imigração desde 2003, entre os quais Bah. Tradução: Paulo Migliacci ME |
|||||||||||||||
|
The New York Times |
|||||||||||||||
|
|||||||||||||||