Análise
Gothic III (PC)
 
Joan Narcís Marcè
 
Divulgação
Jogo é bonito graficamente mas tem jogabilidade ruim
Jogo é bonito graficamente mas tem jogabilidade ruim
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No passado lutamos para libertar a ilha de Khorinis das forças do mal, e saímos vitoriosos. Agora nossa missão é muito mais ambiciosa e perigosa, decidir o destino do nosso reino, Myrtana, que foi conquistado pelas hordas invasoras dos orcs, aproveitando nossa ausência.

Se você não teve o suficiente com o RPG épico de The Elder Scrolls IV: Oblivion, a Piranha Bytes nos traz o melhor do gênero com a terceira aventura de sua popular saga, que não fica devendo nada ao jogo da Bethesda Software a não ser, talvez, seu sistema de controle. Mas logo falaremos disso com mais profundidade.

Gothic III supera seus antecessores em muitos aspectos, além do seu aparato gráfico e tecnológico, como era de se esperar.

Para começar, diante de nós se estende um gigantesco mundo por explorar, até cinco vezes maior que o mapeado em Gothic 2. Nada que seja visto por nossos olhos estará fora de nosso alcance. Cada casa, cada rincão, gruta ou lago foi desenhado para ser visitado, tudo isso sem que exista um só tempo de carregamento e sem que isso repercuta no detalhismo de seus gráficos. Mas se a sua máquina não se ajusta ao que o jogo exige, você pode perfeitamente ir ao cinema e voltar: enquanto isso, o computador vai carregar ou salvar uma partida.

O imenso cenário que forma a geografia de Myrtana se compõe de três grandes regiões povoadas por facções distintas: os Nordmar e os Assasins, de raça humana, e os conquistadores orcs.

Nós podemos nos unir à causa de qualquer uma das facções ou optar por estabelecer alianças. Gothic III prima pelo livre-arbítrio, em um ambiente tão mutante que nenhuma partida será parecida com a anterior.

Nosso herói, em que pese ser anônimo, não é um personagem cinza e sem graça. Ao contrário, poderemos adestrá-lo em numerosas artes e desenvolver uma infinidade de habilidades. Poderá dominar até 50 feitiços diferentes, transformar-se utilizando-os, realizar invocações, teletransportar-se e aprender os segredos de diversos ofícios: ladrão, mago, guerreiro... um aventureiro de recursos.

Obviamente não poderia ser tão bonita nossa aventura pelas terras de Myrtana. A obra da Piranha Bytes requer um computador muito potente se você quer poder jogar com uma resolução aceitável e evitar que o jogo fique barbaramente lento. Além disso, seu novo sistema de combate desagradou os aficionados pela série por ser confuso e frustrante.

Continuando as queixas, podemos enfatizar a extrema e aborrecida dificuldade que torna o jogo doente: morreremos em tantas ocasiões - por culpa da péssima resposta do mouse durante um combate, ou, por exemplo, em ações tão simples como um salto mal calculado - que perderemos a conta de quantas vezes visitaremos o Hades.

Os NPCs que nos acompanham poderiam facilitar nossa aventura, ainda que, por desgraça, sua pobre inteligência artificial, sua conduta mecânica previsível nos obriguem a sempre ter que fazer o trabalho sujo. Em todo caso, eles nos livrarão de ter uma morte indigna a mercê de um javali ou um animal menor, coisa que acontece com mais freqüência do que se imagina.

Em relação aos objetivos que vão se apresentando à medida que avançamos, tendem a se mostrar ambíguos e frágeis, de modo que podemos fracassar numa complicada missão secundária (side-quest) simplesmente por dar uma resposta aparentemente inofensiva a um NPC, o que é até certo ponto tolerável, menos quando o cumprimento da tarefa influi no destino de um evento-chave da história - situação que pode acontecer.

Gothic 3 é um título que reserva mais de 50 horas de diversão, mas pode ser que você termine por lançar o mouse pela janela. Não é uma obra-prima do porte de Oblivion, mas oferece enorme quantidade de entretenimento se você é um jogador veterano e seu inventário tem paciência para transbordar.


 
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