Análise
Broken Sword: The Angel of Death (PC)
 
Joan Narcís Marcè
 
Divulgação
Aventura em terceira pessoa para o PC
Aventura em terceira pessoa para o PC
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A fria recepção que teve o Sonho do Dragão, tanto pelos aventureiros incondicionais da saga como por jogadores casuais, que seguramente acreditaram que se tratava de uma espécie de Tomb Raider com protagonista masculino e se sentiram decepcionados, terminou por cobrar a vida da Revolution Software... ou era o que pensávamos.

E quando parecia seu fim, depois de sua dissolução como desenvolvedora em 2003, a THQ resgatou os dois membros sobreviventes, Charles Cecil e Tony Warriner, fundadores da Revolution, e assumiu a produção, além da distribuição da série. Tempos depois, celebraram sua ressurreição rendendo, ironicamente, tributo ao Anjo da Morte no quarto capítulo de Broken Sword.

Apesar de sua tentativa de evoluir o gênero, criando um híbrido de jogo de ação em terceira pessoa com o sistema de aventura gráfica clássico de point 'n click, não ter agradado, a Revolution faz questão de The Angel of Death, e conseguiu um combinado bem mais sólido e interessante do que o Sonho do Dragão.

Se mantém o deslumbrante aparato visual totalmente tridimensional do terceiro episódio e o sistema de câmeras em terceira pessoa. Seus cenários transmitem profundidade e realismo, iluminando inúmeros detalhes, e os personagens são atraentes à vista, desenhados de forma que cada um possui não apenas uma personalidade própria, mas também uma imagem. As texturas não são fotorrealistas a fim de preservar o look de desenho animado europeu, próprio da franquia.

O roteiro, em alguns momentos, beira a genialidade, com um argumento sólido e muito ambicioso porque pode se permitir sê-lo. É a base sobre a qual se sustenta o jogo, como deveria ser em todas as aventuras gráficas. E sem desvelar segredos que possam arruinar ao leitor a grata experiência de jogar o Anjo das Trevas, a nova odisséia de Stobbart é surpreendente, com giros inesperados nada artificiais, personagens carismáticos, mitos religiosos, amores e desamores, que conformam uma trama tão complexa que apostamos: provocará aflição no senhor Dan Brown (autor de O Código Da Vinci).

Infelizmente, não temos oportunidade de interagir nas conversas com se fazia na velha escola, de modo que não poderemos selecionar entre diversas respostas possíveis durante um diálogo. Um elemento-chave, que reforçaria o fator jogabilidade.

Quanto à mecânica de jogo, é de agradecer que o nível de ação tenha descido em relação ao Sonho do Dragão, ainda que não tenha desaparecido. Simplesmente está melhor dosado, apresentando-se quando a história o justifica e não pelo simples fato de não "aborrecer" os jogadores que detestam usar o cérebro para resolver um quebra-cabeça.

Falando dos enigmas, são abundantes e dignos de aparecer em um capítulo de Broken Sword. Enfrentaremos uma grande quantidade de situações limite, enquanto tratamos de cumprir o encargo da sedutora e enigmática Ana Maria. Os quebra-cabeças apelam ao senso comum, em lugar de recorrer ao surrealismo de, por exemplo, Myst. Longe de ter que adivinhar como diabos se vai para a frente, em algumas situações bastará agir da forma que faríamos se fôssemos George Stobbart e quiséssemos salvar nossa pele.

Uma incorporação interessante é a inclusão de um PDA virtual, que usaremos para investigar. Ele nos trará uma série de artigos de caráter histórico que escondem a informação necessária para guiar nossos passos até o bom caminho.

Broken Sword: The Angel of Death infunde sábia nova na crosta da série de Charles Cecil, que esteve muito perto de desaparecer. Uma aventura gráfica tecnicamente moderna, mas que mantém vivo o espírito do gênero ao que pertence.


 
Terra Espanha

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