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O povo pedia modo de jogo on-line e times brasileiros, mas a Konami, como um técnico que sempre segue suas convicções, decidiu que Winning Eleven 8 faria o esquema tradicional: mais animações, mais times licenciados, jogabilidade aprimorada, física mais realista e a dose anual de frescuras.
Assim como os dois últimos da série, WE8 é uma atualização sem qualquer característica revolucionária, mas que mantém o objetivo de se tornar uma simulação cada vez mais realista e emocionante. O modo on-line ficou para WE9, mas guardadas as mágoas, WE8 até que chuta bundas.
Respeitamos a equipe da Konami eeee...
Antes de dar a primeira jogadela em WE8 sabíamos que iríamos encontrar dificuldades, mas, respeitando o adversário, trabalhamos duro durante a última semana, confiantes no resultado positivo. Como sempre, o jogo é muito difícil no início e exige dias de prática até que se acostume com o novo comportamento dos jogadores e com a ¿dinâmica do jogo'. No caso de WE8, a dificuldade é maior do que a usual, o que pode levantar algumas suspeitas de que ele está pior que a versão anterior. A verdade é que só obtive o tal do resultado positivo e prazer real com o jogo após mais ou menos uma semana de ¿trabalho'.
A característica mais marcante de WE8 -- e aquela que se deve entender primeiro para jogar bem -- é o uso dos botões analógicos do Dual Shock 2 para chutes com forças diferentes. Quase tudo no jogo, seja cobrança de falta, passes comuns ou em profundidade, depende da pressão exercida sobre os botões e tempo correto de execução. Apertando o botão de passe brevemente dá uma bola curta para o jogador mais próximo, enquanto uma pressão prolongada resulta em um passe para o jogador mais adiante; Já nos chutes, sejam com bola parada ou rolando, a pressão determina a velocidade da pelota e sua parábola, o que torna a arte de finalizar a gol um pouquinho mais complexa. Deste modo, duas coisas tornam-se obrigatórias em WE8 e certamente vão separar o bom jogador do craque: jogar sempre com o Dual Shock 2 (porque os controles anteriores não têm botões analógicos), e ter uma boa noção e controle da pressão que seus dedos exercem sobre os botões.
Os chutes a gol, principalmente nas cobranças de falta de longa distância e nas situações de 1 contra 1 com o goleiro, ainda precisam de retoques (WE8 FE: seja bem vindo), mas no geral esta sofisticação do apertar de botões de WE8 é muito bem vinda e serve para criar um futebol extremamente natural e gratificante.
Dribles estão mais fáceis que nos dois últimos WEs e o jogo defensivo, em contra partida, tornou-se mais desafiador. Não há como trombar ou ir empurrando o jogador adversário até roubar-lhe a bola, como acontecia antes ¿ isso quase sempre resulta em falta. É necessário timing perfeito na execução dos carrinhos e extrema prudência no contato físico, principalmente quando seu oponente encontra-se na área e pode, facilmente, valer-se de sua truculência para cavar um pênalti. Isto é ótimo, pois o jogo finalmente começa a exigir concentração ao marcar o adversário na mesma proporção em que requer ao atacar.
Dois outros pequenos detalhes da jogabilidade merecem menção: o uso do botão R2 para movimentar o jogador livremente sem a bola está bem mais eficiente, e nas cobranças de falta você pode colocar um segundo jogador para rolar a redonda ou fingir uma cobrança ensaiada.
Apesar de difícil em alguns momentos, esta é a edição que proporciona maior fartura de gols e possibilidades de jogadas de ataque desde WE4. Não que o jogo tenha se tornado menos realista ou ¿arcade', mas com controle melhor, craques mais decisivos (o jogador medíocre é realmente um perna de pau agora) e jogabilidade que possibilidade dribles e sprints infernais, o futebol de WE8 apenas tornou-se menos truncado que os anteriores da série.
Eye-candy
Com WE8 a Konami também começa a atacar os pontos fortes de seu maior concorrente: as licenças oficiais e a apresentação mais profissional e, digamos, espetacular do jogo.
Os menus, que eram muito pobres até então, foram totalmente redesenhados, ganharam cores mais agradáveis e tiveram o excesso de texto substituídos por ícones. O carregamento entre eles também melhorou substancialmente.
A modelagem dos jogadores está ainda mais precisa, e há um reflexo de luz inédito que soma ao realismo, embora a Konami tenha exagerado na dose e deixado os jogadores parecendo bonecas de porcelana em alguns momentos.
Dos pequenos detalhes, o mais interessante é a presença do juiz em campo. Não apenas podemos vê-lo correndo agora, mas temos um extra de emoção e realismo com sua arbitragem, já que ele agora erra ¿ sempre por pouco, mas erra ¿ e o melhor, pode anular um gol mesmo depois que já vimos o jogador comemorando, o placar mudado e o narrador vibrando. É sensacional comemorar um gol e segundos depois ver a câmera focalizando o bandeirinha, com seu instrumento erguido, e Jon Kabira dizendo o que, imagino, seja ¿o juiz manda voltar, estava impedido¿.
Um contra de tudo isso é que o jogo está nitidamente mais pesado, ao ponto de provocar ¿slow-downs' terríveis quando se joga com a câmera afastada e a área está muito congestionada, como é o caso de em uma cobrança de escanteio.
Agora são 138 clubes no jogo, sendo todos da primeira divisão das ligas italiana, espanhola, alemã, inglesa e holandesa, oficialmente representados, com nomes e uniformes reais. Três times sul-americanos, River Plate, Boca Juniors e Cruzeiro foram incluídos, mas especialmente no caso da equipe brasileira, é como se não estivesse, pois está com o uniforme errado, nome fictício e as habilidades dos jogadores um tanto incoerentes.
O modo Master League continua sendo um grande barato. Agora você pode começar a disputa com um time já formado ¿ bem sem graça, convenhamos ¿, ou com os velho e eternamente ruim elenco encabeçado por Castoro, Espinas e Marinda.
Caso opte por começar com os pernas de pau, prepare o seu coração para as emoções da série B, e saiba que vai ser difícil sair cedo dela. Como o jogo agora diferencia mais os craques dos apenas esforçados, fica muitíssimo difícil marcar gols com um time medíocre e conquistar pontos/dinheiro. E há alguns detalhes curiosos na liga que a tornam ainda mais desafiadora: os jogadores ganham e perdem habilidades de acordo com a seqüência de jogos e, não muito raro, você terá parte do elenco temporariamente indisponível graças às convocações para os jogos das seleções. No meu caso, tentando levar o Perugia de volta à série A, foi frustrante perder minhas poucas contratações, os atacantes Recoba e Chevanton, graças a compromissos com a seleção uruguaia. Com jogadores contundidos ou fora de forma, o jeito foi improvisar uma estratégia diferente, com um único atacante.
O Veredicto: A ausência do modo on-line é lamentável, mas Winning Eleven 8 mantém a jornada da Konami em criar o jogo de futebol perfeito com novidades quase sempre sutis, mas que fazem toda a diferença quando se joga. Como diria o Galvão: Que jogo, amigo!
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