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Três edições por ano e um bando de viciados em Winning Eleven dando milhares de ienes à Konami para manter a dependência. Seria golpe baixo, se o trabalho da equipe konamista não fosse sempre tão competente.
Winning Eleven 6 Final Evolution, o terceiro lançado em 2002, não corrige eventuais ¿bugs¿ da versão anterior, mas apresenta exatamente uma evolução do melhor futebol do universo, com mais dribles, melhores animações, estatísticas mais complexas e uma jogabilidade nota mil.
Os meninos de Tóquio
Os chapas da Konami Tokyo adicionaram uma alta dose de molecagem no futebol de Final Evolution. Mais ou menos como já estava previsto no excelente J-League WE6, agora o que impera nos gramados é o futebol bonito, muita movimentação, passes com grande desenvoltura e dribles a la vonté. O prazer que se tem ao jogar uma partida de WE6 Final Evolution é algo inenarrável.
A aceleração passa a ser uma habilidade fundamental, uma vez que é possível ¿ e bem eficiente ¿ partir pra cima do adversário, ou como diria Galvão Bueno, pra dentro deles, com aquelas arrancadas típicas de Ronaldo e Denílson. Imagine você dando um sprint pra diagonal, o zagueiro acompanha, e de repente você corta bruscamente pro outro lado deixando o pobre marcador desnorteado. Isso é o básico em Final Evolution.
O tempo de resposta que se tem dos controles é notadamente mais curto. É possível driblar em espaços curtos ¿ a la Zizou - com grande facilidade e realizar as jogadas mais criativas. Ajuda bastante também no embelezamento do jogo a movimentação mais variada do time, graças a ajustes na inteligência artificial. As possibilidades de jogadas novas são incontáveis. Os jogadores também ficaram mais espertos e nem sempre esperam feito bobos pela chegada da bola em seus pés, como acontecia com certa freqüência em WE6.
Roubar a bola também tornou-se mais complicado. Agora os jogadores tendem a se esforçarem mais para manter o equilíbrio e travam duelos de corpo com o adversário, muitas vezes usando os braços para empurrar ou proteger também, o que torna mais difícil o desarme. Faltas também são mais improváveis que na versão anterior.
E se tu gosta de mamata, estás em apuros, porque o jogo é difícil pacas! Mesmo no nível normal de dificuldade um veterano da série pode ter problemas para sair do 0x0. Com o tempo e muito treinamento, tende a se tornar mais fácil, naturalmente.
Mais detalhado e realista
O realismo das partidas cada vez impressiona mais. Os movimentos diferentes e a física imprevisível da bola são inacreditáveis. Só jogando pra entender. Final Evolution é tão realista que na minha primeira Master League o Palmeiras já jogava na segunda divisão!
Existem outros detalhes interessantíssimos que mostram como o jogo é dinâmico e fiel ao futebol real. Perdendo de 1 a 0 na prorrogação, você tem um escanteio para cobrar, e lá no meio da área chega o seu goleiro pra tentar um cabeceio no desespero. Se o centroavante tenta um cruzamento ou experimenta de longe, mas erra, o companheiro de ataque pode bater umas palminhas de apoio. E as comemorações? A equipe da Konami assistiu a Copa do Mundo direitinho, e R9 comemora os gols com o dedo indicador balançando, Raul beija a aliança, Diouf e a seleção de Senegal fazem a alegre dança afro na beira do campo.
Final Evolution traz algumas adições cosméticas interessantes, embora algumas delas parecem ter sido feitas às pressas. Os nomes dos jogadores na parte de trás das camisas, por exemplo, é uma boa idéia, mas que na prática pouco acrescenta de positivo ao visual. Além de ser um detalhe que só pode ser percebido quando a câmera está bem próxima da ação (isto é, quase sempre nos replays), a fonte usada é muito fina e toda certinha, dando a impressão de que não está realmente bordada ou fixada na camisa.
Todas as grandes estrelas do futebol mundial (incluindo Ronaldo, que vem diferente na seleção, mas pode ser editado para ficar 100% real) têm seus rostos no jogo. Ronaldinho Gaúcho, o mais feio do mundo, está lá com seu rosto impecavelmente modelado. É hilário! Agora é possível também editar coisas como a cor e modelo da chuteira, a largura e altura do rosto, a altura das pernas e tronco, cor da pupila e até o branco do olho!
Estranhamente, alguns detalhes no campo e na modelagem dos jogadores parecem piores que na versão anterior. Talvez tenha havido alguma troca de detalhamento por performance (os slow-downs não acontecem mais), mas o fato é que algumas coisas como desproporção no corpo dos jogadores (muitos parecem chimpanzés, com braços longos e pernas curtas) e um excesso de contraste na imagem prejudicam o visual.
Já a animação, que é o mais importante, foi mais uma vez melhorada sutilmente. Ainda deve evoluir bastante nas próximas edições da série, como sempre, mas todas as animações da parte jogável pelo menos estão muito bem feitas e detalhadíssimas.
Show do intervalo
O matemático Oswald de Souza não é nada perto do time da Konami quando se fala de estatísticas do futebol. Em Final Evolution temos, além do básico - chutes a gol, posse de bola, etc ¿ estatísticas independentes para cada jogador, como gráficos que mostram a área do campo onde ele mais atuou, o número de passes certos e errados, tiros livres, etc. Um menu mostra até o tipo de gol feito, se de bola cruzada, jogada individual ou rebote.
No final da partida o jogo dá notas para o desempenho de cada atleta, o que é um grande barato. O recurso funciona até muito bem. Parece ser determinado pelo tempo com que o jogador passou com a bola, o número de assistências, chutes a gol e conclusões certas. A única vez que consegui mais que 8.5 foi em uma atuação de gala com Thierry Henry, que infernizou o adversário durante os 90 minutos e ainda guardou 4 bolas na rede. O jogo deu 9.5 para o francês, o que me pareceu bem coerente.
O Veredicto: Apesar de ser apenas uma ¿expansão¿ de Winning Eleven 6, as mudanças implementadas em Final Evolution, principalmente na jogabilidade, fazem a diferença para quem sabe apreciar um bom futebol nos mínimos detalhes. Portanto se você quer o melhor, peça Winning Eleven 6 Final Evolution pra Papai Noel neste Natal.
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