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No clima da Copa do Mundo, nada melhor que um Winning Elevenzinho básico para animar a moçada. Cientes da responsabilidade de trazer a melhor simulação futebolística pré-Copa para os lares de todo o mundo, os japoneses da Konami capricharam na produção de World Soccer Winning Eleven 6, e o resultado, pra variar, agradou.
Visual
Dizer que Winning Eleven é o melhor jogo de futebol do mundo é chover no molhado. Aliás, as análises dos jogos desta série deveriam se resumir a comentar o grau de evolução alcançado desde a versão anterior. Pois bem, o progresso conseguido em Winning Eleven 6 é o mais significativo desde Winning Eleven 4.
Comecemos pelo visual, que talvez seja o ponto mais discreto de evolução. A movimentação dos jogadores está bem mais rica - segundo a Konami há três vezes mais quadros de animação desta vez - e isto pode ser rapidamente percebido pelos fãs da série nos mínimos detalhes, como, por exemplo, quando o jogador vai finalizar tombando o corpo para o lado para buscar o melhor ângulo e tocando na bola com o lado do pé, ou quando o jogador se estica todo num carrinho para cruzar a bola na área. Os menos atentos devem reparar mais nas novas coreografias para a comemoração de gol, agora em ângulos mais dramáticos e com direito a abraços calorosos. Mas sem dúvida o detalhe mais marcante, pelo menos no que se resume à qualidade da animação, é a reprodução impecável da cobrança de falta de David Beckham; o popstar do futebol inglês tem sua animação personalizada, com os braços girando antes de chutar a redonda (veja um exemplo neste trailer do jogo). Roberto Carlos é outro que mantém seu estilo peculiar para o tiro de longa distância, com aquela corridinha que nós conhecemos bem.
O número de estádios pulou de 8, de Winning Eleleven 5 FE, para 15 em Winning Eleven 6, e em todos eles a modelagem está ainda mais precisa e bonita. Desta vez há uma ótima variedade para o desenho do gramado, a cor da grama e a luz ambiente de cada palco. O estádio do Manchester United, por exemplo, tem uma grama verdinha que parece um tapete, enquanto em certo campo no oriente temos um gramado surrado, meio queimado e esburacado. A torcida, que muitos julgam um ponto bastante relevante (o que não é o meu caso, já que quase nunca se vê a torcida enquanto joga), permanece no mesmo nível do Winning Eleven anterior, apenas razoável.
Outra novidade: pode-se jogar com novos ângulos de câmera que simulam os de uma transmissão da TV. São 9 variações do que seria uma câmera semi-fixa no alto do estádio, de modo que quando a jogada está acontecendo em uma extremidade do campo, como a grande área, você vê a ação pela diagonal, numa câmera angulada.
Uma câmera dentro do gol para os replays (dá uma linda visão panorâmica do estádio), tufos de grama/barro voando ao correr e chutar, e poças d'água mais detalhadas completam as novidades visuais. Dois pontos negativos, embora quase sempre sutis: o trabalho de reprodução do rosto dos jogadores famosos é um pouco inferior ao do jogo anterior, salvo raras exceções como Pires, Bergkamp, Ronaldo e Cafu. E a taxa de quadros por segundo costuma cair quando se joga na visão mais distante e há grande congestionamento na área.
Em time que está ganhando se mexe sempre
Sempre que você pensa que a jogabilidade de Winning Eleven já estava ideal, o pessoal da Konami vem e muda tudo numa nova versão. Em Winning Eleven 6 mudaram alguns botões (o pulo agora funciona com R3, não há mais R2 para corrida média, etc), a resposta dos jogadores aos seus comandos é mais rápida e precisa, e o jogo está bem mais dependente de duas técnicas: drible e proteção da bola com o corpo. Agora quando você solta o controle o jogador continua conduzindo a bola bem devagar, num movimento que permite reações rápidas do controle, e dribles "secos". Finalmente é possível driblar o goleiro com razoável facilidade usando apenas os direcionais básicos, e inverter as jogadas com o botão O costuma dar mais certo que errado.
O mais importante é que Winning Eleven 6 está muito bem balanceado. Não há um ponto fraco comum nos adversários, não há jogada impossível de ser executada e nem vantagens claras para um determinado estilo de jogo, como era o caso do cabeceio em Winning Eleven 4 e o chute de fora da área em Winning Eleven 5. A variedade do jogo é imensa e totalmente realista. Talvez nem seja necessário o lançamento de um Winning Eleven 6 Final Evolution no final do ano porque o jogo, do jeito que está, parece perfeito.
Jogo de xadrez no meio campo
Winning Eleven sempre fez sucesso com a proposta de ser uma simulação realista do futebol, sem se preocupar muito com a acessibilidade. Este é um dos jogos de esporte mais complexos e frustrantes para o jogador iniciante, e a simulação é tão realista que é comum ter partidas monótonas, condensadas no meio campo, cheias de falta e em ritmo lento. Pelo menos na fase de adaptação ao jogo, sua "naftalina", como diria Jardel, só irá subir graças às incríveis jogadas ofensivas aprontadas pelo computador.
A inteligência artificial dos jogadores computadorizados é inacreditável. Como os chapas da Konami conseguiram fazer isso eu não sei, mas os jogadores de Winning Eleven 6 parecem raciocinar mais profundamente que um futebolista de verdade. Imagine uma situação: Recoba carrega a bola pela intermediária, se aproxima da grande área e vê Ronaldo disputando no corpo-a-corpo o melhor espaço com um zagueiro, o fenômeno se livra da pressão e abre o caminho para receber um passe. Enquanto isso, o outro zagueiro que lhe dava condição não vê outra alternativa senão correr pra frente e deixar o atacante em posição de impedimento, numa fração de segundos antes do passe. Situações parecidas ocorrem a todo momento, demonstrando a sofisticação da inteligência artificial. Você verá também o "computador" freqüentemente transar uma jogada maravilhosa, fazendo triangulações, invertendo o jogo, escorando com o peito e tal. Jogando no nível "extreme", vence-lo será uma tarefa dificílima até para os veteranos.
Neste autêntico "jogo de xadrez" que é uma partida de Winning Eleven, é mister estar atento aos mínimos detalhes para obter o sucesso. Aqueles que montam um time colocando jogadores como Veron e Rivaldo como meias defensivos, volantes, ou priorizam apenas a velocidade e potência do chute definitivamente estão boiando e merecem voltar a jogar ISS no Nintendo 64. Cada habilidade em Winning Eleven 6 é valorizada. Um lateral deve ter velocidade e bom cruzamento, principalmente, um volante sem fôlego (stamina) e equilíbrio entre capacidade ofensiva e defensiva é peso morto no meio campo. Assim como no futebol real, ter um time equilibrado, compacto e bem entrosado (sim, há um parâmetro variável de entrosamento no jogo) é o que faz a diferença.
Para aumentar ainda mais a complexidade da simulação há uma nova habilidade: técnica de chute - que determina a eficiência do chute em posições complicadas - e uma condição que deixa o jogador que está voltando de contusão sem a plenitude de sua forma física e habilidades.
Zidane: nova contratação do Moto Clube
Winning Eleven 6 traz também uma série de novidades nos modos Master League - onde você assume o comando de um time e contrata jogadores - e treinamento. No treinamento temos mini-jogos como cobrança de falta no alvo, drible em cones e um divertidíssimo "peruzinho" numa rodinha de cinco jogadores contra dois.
O treino é um grande barato agora, ainda mais porque você conquista vários dos jogadores secretos (Dunga, El Pibe Valderrama, etc), mas é o modo Master League o verdadeiro "ó do borogodó" em Winning Eleven 6.
O Master League foi reformulado para Winning Eleven 6 e está mais complexo e divertido do que nunca. Pra começar, são três divisões. Em cada uma você disputa também copas paralelas com direito a prêmios e, na última, subida para a divisão acima. O esquema de contratações está bem mais sofisticado. Para contratar um jogador agora você terá que propor um contrato de 1 a 5 temporadas, um salário e, caso ele já esteja vinculado a algum clube, um valor correspondente ao passe do sujeito. Outra alternativa é propor um empréstimo, economizando alguns tostões. Uma ou duas partidas depois você saberá se ele aceitou ou não a sua proposta. Jogadores que estão bem em seus times costumam exigir muito antes de topar uma transferência.
O Modo Master League agora conta com 40 clubes. Não há novos clubes sul-americanos, mas isso pouco importa, já que o jogo oferece um sistema de edição de time completo. É possível criar nome, uniformes, bandeira e definir um estádio como sua "casa", além da tradicional opção de criar jogador. Imagine então que bacana poder jogar um clássico Moto Clube vs. CSA, tendo um meio campo formado por Magrão e Zinedine Zidane...
É possível também comprar um jovem talento e ir desenvolvendo o garoto com o tempo. No final de cada partida você ganhará pontos para distribuir no menu de habilidades do jogador, até que ele mature totalmente.
Lamentavelmente, os menus são todos em japonês e são muitos desta vez. Um fã da série provavelmente conseguirá decifrar tudo em dois dias, mas um novato estará em apuros para entender a metade das opções disponíveis.
Os dados dos milhares de jogadores trazem mais incoerências que o de costume na série. Os dois times brasileiros, por exemplo, (Vasco e Palmeiras) estão desatualizados e com as habilidades dos jogadores distribuídas no chute, mas no geral, ainda é um trabalho muito competente da Konami.
Maracugina em Jon Kabira
A narração como sempre é feita pelo lendário Jon Kabira. Os comentários são bem mais variados, Kabira chega até a se confundir às vezes dizendo "É córner... Opa, o juiz marcou tiro de meta". Mas parece que a Konami finalmente medicou o sujeito, e ele veio com uma narração mais contida em Winning Eleven 6.
A torcida está mais interessante. Agora jogando fora de casa você só recebe vaia, diferente dos jogos anteriores quando parecia haver uma metade do estádio para a torcida de cada time.
Para servir como a cereja deste bolo futebolístico, temos "We'll Rock You" e o hino "We're the Champions" do Queen tocando na apresentação e no final do campeonato.
* Winning Eleven 6 não será lançado nos EUA.
O Veredicto: Winning Eleven 6 é um jogo espetacular. O altíssimo nível da simulação pode até afugentar alguns novatos, mas quem sabe apreciar o futebol, e está disposto a treinar, logo descobrirá os prazeres deste que é o melhor simulador de esporte que já existiu.
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