Análise
Metal Gear Solid 2
 
Reinaldo Normand
 
Busca
Busque outras notícias no Terra:

Para quem viveu em uma caverna nos últimos 3 anos, Metal Gear Solid 2 é a continuação do belíssimo jogo lançado em 1998 para o PSX original, que foi considerado um dos melhores títulos de todos os tempos pela sua jogabilidade inovadora, criatividade e ambientação perfeita, digna de um filme. MGS era um jogo intenso em todos os aspectos, e fazia um ótimo uso das capacidades do Playstation original.

Analisar o jogo mais aguardado do ano e do Playstation 2 não é uma tarefa fácil, ainda mais quando este que vos fala é fã de carteirinha do primeiro Metal Gear Solid e do durão Solid Snake.

No limiar da realidade

Para os iniciantes, a história de Metal Gear Solid 2 pode ser pedreira. Além de fazer inúmeras referências ao primeiro episódio, e ao mundo de Metal Gear (Foxhound, Gray Fox, Big Boss, Les Enfant Terribles etc), ela é complicada e muito confusa.

Mas, paradoxalmente, a história é o fator mais bacana de Metal Gear Solid 2. Hideo Kojima, que se formou em cinema, é um mestre na arte de contar as aventuras de Solid Snake e os eventos paralelos que se sucedem. O mais legal é que o jogo mistura a ficção com a realidade de uma forma fascinante, fazendo com o que jogador, por alguns momentos, chegue mesmo a acreditar que existem nanomachines, camuflagem invisível e um inimigo que desvia das balas. Haja imaginação e criatividade para estes japoneses! Até o final da jogatina, o jogador se verá surpreendido com a imensa gama de detalhes dos diálogos, da tecnologia usada (armas, apetrechos eletrônicos, etc) e reviravoltas na história.

Nunca antes foram amarrados com tanta maestria um enredo tão complexo, jogabilidade, som e gráficos de tão alto nível. O resultado de tudo isso junto é a sensação de estar assistindo e participando de um filme de ação. Não há jogo no mercado que chegue aos pés de Metal Gear Solid 2 neste quesito.

O verdadeiro jogo da nova geração

Com o poder de processamento extra do PS2, Hideo Kojima e o time da Konami puderam adicionar muito mais realismo no desenvolvimento de MGS2. Ele é belíssimo, tanto na parte jogável quanto nos cinemas utilizados para dar maior dramaticidade à história. Existem horas que não dá para acreditar que tudo o que vemos na tela é gerado em tempo real, mas um esperto apertar do botão R1 + bolota direita nos permite movimentar a câmera durante os filminhos.

A principal atração nos gráficos é o movimento "motion captured" e coreografado dos soldados e inimigos. São muito realistas e parecem realmente com alguns dos bons filmes de ação de Hollywood. A direção de "fotografia" e as edições de câmera também são excelentes, e ainda melhores do que no primeiro Metal Gear Solid.

No ambiente do jogo, os gráficos também dão um show, principalmente na parte do navio, que todos já conhecem pelo menos em imagens. Os cenários são bastante interativos e há muita atenção nos detalhes. Uma imensa gama de objetos pode ser destruída, incluindo garrafas, revistas, frutas, etc. Existem situações curiosas, onde você, por exemplo, pode acertar o rádio de mão dos guardas, impedindo-os de chamar seus comparsas, ou até matar uma pobre e indefesa gaivota.

Entretanto, vale a pena salientar que algumas texturas são muito pobres, e em algumas partes, MGS2 não é tão bonito quanto se esperava dele. As expressões faciais dos personagens também são inexistentes, e o sincronismo labial é péssimo. Parece que o time da Konami não teve tempo o suficiente para melhorar os gráficos destas partes.

Mesmo com alguns defeitos gráficos, MGS2 é sem sombra de dúvidas, o que existe de mais bem feito hoje para os consoles da nova geração. Mas, atrás de bons visuais é sempre necessário uma competência sonora para dar mais realismo ao visual. E em relação a isso, não há do que se reclamar de Metal Gear Solid 2. A dublagem das vozes dos personagens está bem acima da média. Há horas e horas de "scripts" gravados, meticulosamente escritos e organizados pelo próprio Hideo Kojima. É impressionante!

As músicas de Harry Gregson Williams também não poderiam ser mais apropriadas e atmosféricas para o desenrolar da história e da jogatina. São muito bem intercaladas com a ação, e te deixam no clima. E a canção final, meu Deus, que coisa linda!

Os efeitos sonoros também não decepcionam, e os estampidos de trovões e raios, o som do vento e das gaivotas têm de ser ouvidos para serem acreditados! Muito dos outros efeitos foram emprestados do MGS original, mas ainda hoje, continuam atuais. Seus ouvidos agradecerão ao time da Konami por ter feito algo tão bem produzido.

Jogabilidade viciante

Metal Gear Solid 2 é, como o primeiro, um jogo puramente de ação, mas com o fator "furtivo" embutido em sua jogabilidade. Em outras palavras, o objetivo do jogador continua sendo o de não chamar a atenção dos inimigos, passando incólume pela vigilância alheia.

Neste novo episódio, as novidades ficam por conta de algumas habilidades extras, como se esconder dentro de armários, carregar corpos, dar gravatas, ficar dependurado e tudo mais. Também foi adicionada a visão em primeira pessoa, que facilita bastante na hora de acertar os oponentes.

No geral, a jogabilidade de Metal Gear Solid 2 se parece bastante com a do primeiro capítulo, e é bastante variada. Algumas passagens inclusive são absolutamente iguais ao do jogo de 1998. A maior diferença é que agora, além da perspectiva 3D, de cima, o jogador pode se colocar na visão em primeira pessoa, e observar muito mais os detalhes do cenário, que não são poucos.

Há vários itens à sua disposição como binóculo, câmera digital, sensores para detectar bombas, caixas para disfarce e algumas outras surpresas que é melhor não revelar.

Os chefes são bem legais, mas perdem em carisma para os de Metal Gear Solid 1. Além do mais, como já foi dito, muita coisa se repete, e não é mais novidade para ninguém. Não espere algo fantástico desta vez, como os poderes psíquicos de Psycho Mantis vibrando o seu controle.

Uma crítica vai para a inteligência artificial do jogo, que apesar de ter melhorado em relação ao Metal Gear de 1998 (que lançou os soldados que enxergam e ouvem sons como novidade), é muito precária para o padrão dos jogos de 2001. Basta uma pequena comparada com Commandos 2, por exemplo, para ver que a Konami poderia ter feito melhor. Às vezes você passa correndo ao lado de um soldado e ele não te ouve, ou está de frente para ele em um corredor, mas seu campo de visão não te enxerga.

Mas, dada as circunstancias de tempo envolvidas (MGS2 foi produzido em apenas 2 anos), não podemos reclamar, pois a Konami praticamente utilizou a estrutura do primeiro jogo.

O encontro de uma cobra sólida com uma flácida

Além de alguns diálogos às vezes sem graça, e a repetição de muitas partes do jogo original, MGS2 tem uma falha muito grave, principalmente para quem é fã do durão Solid Snake. Trata-se de um novo personagem, muito mal desenvolvido, com jeito afeminado, e criticado até mesmo por gente de dentro da Konami. Isso deve ter sido um repente de arrogância de Hideo Kojima (que já disse até mesmo que poderia arruinar o franchise, já que o Metal Gear Solid é uma criação dele), que realmente não foi feliz.

É melhor não contarmos aqui, para não estragar a surpresa de quem ainda não jogou, mas é certo que MGS2 poderia ter sido bem melhor se Kojima não resolvesse inventar moda.

O Veredicto: Metal Gear Solid 2 pode não ser revolucionário como seu antecessor, mas prova mais uma vez que a série Metal Gear está muitos anos à frente da concorrência. Trata-se de um verdadeiro filme de ação interativo, como uma superprodução hollywoodiana que deixa o resto parecendo cinema nacional em comparação. Não ouse perde-lo!


 
Outer Space

publicidade