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Um puzzle no estilo Tetris não parece ser a melhor idéia para demonstrar o potencial de uma plataforma estreante como o PSP, mas no caso de Lumines, a história é diferente.
Desenvolvido por Tetsuya Mizuguchi (Sega Rally, Rez, Space Channel 5), Lumines mantém a proposta do designer de misturar música e imagens para criar uma experiência que pode ser encarada como jogo ou uma pequena obra de arte. Como puzzle, é tão bom e adequado à jogatina portátil quanto outros clones de Tetris como Dr. Mario e Puyo Pop, mas o que o faz honrar as capacidades do PSP é a trilha sonora e a grande densidade de ¿coolness¿ por cada pixel.
Puzzle x Music
O quebra-cabeças de Lumines é um Tetris simplificado. Blocos de uma ou duas cores, sempre por 2 peças de altura e 2 de largura, vão caindo e temos que arranjá-los para que desapareçam em peças de 2x2, ou maiores, de uma mesma cor.
Os blocos de uma cor só desaparecem por completo quando uma linha, no ritmo da música, passa por eles. O jogador então tem alguns instantes para conectar mais peças e destruir um bloco ainda maior, antes que a linha chegue. Peças especiais, que caem de vez em quando, têm a propriedade de criar reações em cadeia, destruindo não só o bloco maior como todas as peças menores adjacentes que forem da mesma cor.
Cada estágio é representado por uma ¿skin¿ que altera a imagem de fundo, a cor e desenho dos blocos, a música e os sons. Movimentos de girar as peças e de encaixá-las produzem sons que se encaixam de formas bem originais na música de fundo, como se fosse um improviso com ¿samples¿.
A experiência de encaixar as peças e modificar a música é um tanto hipnótica, ainda mais quando o jogador usa os fones e ouvido do PSP para se isolar.
A seleção musical do mais fino pop eletrônico japonês também contribui para fazer deste transe com blocos coloridos muito mais que um clone simplificado de Tetris. A trilha tem a assinatura da cantora teen Eri Nobuchika e do grupo japonês Mondo Grosso -- que já gravou com Ed Motta e a cantora Paula Lima -- e é um dos grandes motivos para perseguir novas skins/músicas e desafios no jogo.
Mas o grande contra está aí, no desafio. Você vai querer alcançar os estágios mais avançados e escutar outras músicas, mas Lumines é cruel e não dá uma opção de salvar o progresso nem de continuar -- o jogador é sempre obrigado a começar do zero, da primeira skin. Em várias ocasiões você vai chegar a estágios avançados, mantendo a tela limpinha, para então surgir uma música mais rápida, os blocos começarem a cair em ritmo acelerado, e um pequeno deslize encher a tela e dar o ¿game over¿. Ouvir a próxima música e ver a próxima skin então dependerá da habilidade e frieza do jogador para ¿zerar¿ o jogo em uma só tacada.
As skins que forem liberadas estarão disponíveis para uma jogadela single-player posteriormente. O problema todo está em liberá-las no Challenge Mode.
Outros modos não menos exigentes e igualmente interessantes incluem um confronto de dois jogadores via WiFi ou contra o CPU. Este último é o mais complicado de todos, já que o CPU tem um talento para jogar Lumines que é praticamente insuperável nos estágios avançados. Já o modo ¿Time Attack¿ permite testar as habilidades do jogador em criar ¿combos¿ e atingir a maior pontuação no menor tempo possível.
O Veredicto: Ridge Racers talvez seja a melhor demonstração da capacidade técnica do PSP, mas Lumines é uma experiência que casa melhor com o conceito do portátil: um jogo divertido, bonito, extremamente cool e que valoriza a música e o som como poucos.
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