Análise
Sega GT 2002
 
Bruno Abreu
 
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Se Gran Turismo 3 (do Playstation 2) pudesse falar, ele chamaria Sega GT 2002 de ¿Mini-Me¿. Este novo jogo da Sega para o Xbox pode ser considerado uma versão reduzida, em praticamente todos os quesitos imagináveis, do jogo da Polyphony que revolucionou a corrida de automóveis digital. Mas Sega GT 2002 não merece sofrer de complexo de inferioridade, afinal, desconsiderando as comparações com GT3, até que é um jogo bastante competente.

A mímica da perfeição

É engraçado, mas desde o primeiro segundo Sega GT 2002 segue à risca a fórmula Granturísmica do sucesso, sendo um dos raros jogos de corrida da Sega a conterem um filminho na apresentação, misturando cenas em ¿CG¿ com replays das corridas do jogo.

Daí em diante é tudo mais ou menos a mesma coisa. Temos o modo básico ¿Quick Battle¿ (batalha no caso é a corrida), ¿Time Attack¿, ¿Chronicle Mode¿ (corrida de carros antigos) e ¿Career Mode¿, que é o modo de carreira inventado por Gran Turismo, onde você basicamente compra carros e compete em corridas remuneradas.

O modo de carreira de Sega GT 2002 está longe da complexidade do equivalente em Gran Turismo 3, mas até que funciona direitinho, e traz algumas poucas novidades interessantes, como uma garagem em 3D que você pode decorar com troféus e pôsteres de fotos tiradas nas corridas.

O modo começa de dando alguns milhares de dólares para comprar aquele carro japonês meia-boca e se inscrever na primeira corrida. As corridas se dividem em duas categorias: as oficiais e as de exibição. Nas oficiais você tem grande desafio e, ao terminar uma série de provas em primeiro lugar, obtém o direito de disputar uma licença que permitirá correr em outra classe e adquirir carros mais possantes. Já nas corridas de exibição você corre pelo leitinho das crianças. É a categoria onde você receberá muito dinheiro, o que financiará a sua carreira permitindo comprar novos veículos ou peças para envenenar a sua máquina. Este modo de exibição é meio temático, com corridas do tipo ¿dragster race¿ (acelerando numa reta), ¿carros dos anos 80¿, ¿carros de todas as marcas e épocas¿ e por aí vai.

O dinheiro serve também para pagar reparos. Diferente de GT3, o carro sofre danos, que não aparecem na corrida (há apenas uma ¿barra de vida¿ para representar o estado do seu automóvel), mas podem ser sentidos no seu bolso ao terminar a prova: as avarias são todas automaticamente descontadas do seu prêmio em dinheiro. A posteriori é necessário também fazer a manutenção no motor, suspensão, pneus e etc periodicamente, gastando-se mais uns tostões. E se faltar dinheiro, pode-se recorrer ao mercado de peças usadas para obter o tão sonhado ¿upgrade¿ sem gastar muito.

Carros e frescuras

O grande problema de Sega GT 2002 é que, inevitavelmente, ele tem que ser comparado o tempo todo com Gran Turismo 3 (mesmo porque a intenção da Sega ao fazer este jogo é essa mesma), e ele oferece menos em praticamente todos os quesitos. A começar pelo básico: a variedade de carros que, embora seja boa, é inferior à do concorrente (se você considerar os carros de GT Concept também, a diferença fica gritante). São cerca de 100 carros, a maioria de marcas japonesas e americanas. Não há BMWs, Porsches (nem os clones de Porsche de GT3) ou aquela quantidade de carros exóticos de GT3.

Não existem tantas opções de regulagem e personalização do carro, nem as corridas na chuva ou de rali. Há uma pista considerada de rali no jogo, mas que é apenas uma corrida na neve, numa pista que parece ser feita de piche e brita mesmo. E o pior, são apenas 14 pistas para um longo modo de carreira, sendo muitas delas meras variações de traçado, o que implica em incômoda repetição de cenários.
Com poucas pistas e pouca variedade de provas, você acaba sendo obrigado a repetir dezenas de vezes a mesma corrida para ganhar dinheiro, e isso se torna rapidamente maçante.
O que Sega GT 2002 tem a mais é pouca coisa. A garagem personalizável e uma câmera Canon para fotografar suas corridas e imortalizar aquela performance magistral na forma de um pôster é interessante, embora a cultura tenha me ensinado que pôster de mulheres nuas é bem mais adequado ao ambiente da oficina mecânica.

Se a Sega não fosse administrada por japoneses conservadores, eu já estaria reivindicando outras utilidades para a câmera fotográfica. Mas em Sega GT 2002 temos que nos contentar com fotos de carros na parede, e alguns itens que servem para decorar a garagem, mas que custam quase o preço de um carro popular japonês no jogo, como um violão, um vaso com planta ou uma placa.
Dirigibilidade e visual

Mas e a tal da jogabilidade? A de Sega GT 2002 é excelente, umas mil vezes superior à do Sega GT do Dreamcast. Como qualquer jogo da Sega, o estilo é mais ¿arcade¿, menos simulação, muito divertido. Os controles respondem instantaneamente, há boa dose de derrapagens e uma física convincente. Quem não gosta muito da dirigibilidade de Gran Turismo pode achar a de Sega GT 2002 mais prazerosa e instantaneamente apreciável.

O visual também é ótimo, embora também não esteja no nível de GT3. Alguns efeitos de luz volumétrica e flashes de sol na lataria são muito bonitos, mas a modelagem dos carros tem defeitos evidentes na junção das texturas, e os cenários são genéricos demais e pouco detalhados. Os replays, embora muito bons, também não chegaram no nível do jogo que os inspirou, nem em reprodução da física, nem em estilo. O Xbox certamente tem potencial para fazer muito mais.


 
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