Análise
Panzer Dragoon Orta
 
Reinaldo Normand
 
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Panzer Dragoon é uma das franquias mais adoradas pelos fãs da Sega em todos os tempos. O jogo original, lançado em 1995, deu o que falar pelos inovadores gráicos em 3D e uma atmosfera totalmente surreal, colocando dragões, armas biológicas e um civilização antiga num mundo bastante exótico.

Orta é a continuação verdadeira dos dois primeiros jogos, já que a série se transformou em um RPG a partir do terceiro (e último Panzer).

Mudanças sutis na jogabilidade

Não há muito o que falar sobre a jogabilidade de Panzer Dragoon Orta, que é extremamente simples. Este é um jogo de tiro clássico, onde seu objetivo é destruir tudo pela frente, sobre o lombo do seu dragão alado. A bolota analógica da direita movimenta o dragão juntamente com a mira, e o botão "A" atira. Os controles são precisos e fáceis de pegar.

Neste novo episódio, entretanto, foram efetuadas algumas mudanças sutis, mas importantes. Com o poder gráfico do Xbox, é possível agora rodar em tempo real o cenário para frente, trás, direita ou esquerda, para que você possa enxergar e atirar nos inimigos que aparecem por todos os lados (com os botões L e R, ou com a bolota analógica). Também é possível acelerar e frear o dragão para desviar de inimigos e, em ocasiões especiais, para contornar certos chefes (botões X e B). Como se pode perceber, a riqueza gráfica proporcionada pelo Xbox não teve um apelo meramente cosmético, e dá um novo contorno à jogabilidade.

Você continua com a possibilidade de travar vários inimigos na mira ao mesmo tempo, bastando para isso apertar o botão "A" e movimentar o cursor selecionando os alvos. Ao soltar, uma saraivada de raios mortais e bem mais potentes são disparados. O tiro normal continua com o apertar desenfreado do mesmo botão. Há também o "Berzerk Attack", que é um supertiro que destrói quase tudo que está na tela (botão preto). Ele só é ativado quando uma barra de energia chega ao máximo, alimentada pela quantidade de inimigos que você destruiu. Em outras palavras, você só pode utilizá-lo de vez em quando, e tem que ser sábio para tal.

Mas a principal mudança de Panzer Dragoon Orta em relação aos dois primeiros jogos da série é a possibilidade de troca de dragões (ativada pelo botão Y), que possuem poderes e características distintas, tornando o jogo mais estratégico. Existem 3 dragões:

Base Wing - É o principal e o mais equilibrado de todos. Tem boa capacidade de manobras, seus lasers são rápidos e ele pode travar inúmeros alvos ao mesmo tempo.

Heavy Wing - Como o próprio nome sugere, é um dragão mais pesadão, grande e lento, porém com maior capacidade de fogo para destruir inimigos com armaduras poderosas. Entretanto, com ele não dá para se manobrar com destreza, pois os comandos de acelerar e frear estão indisponíveis.

Glide Wing - O campeão em capacidade de fazer manobras e o mais ágil. Possui um modo de mira automático que é excelente para evitar mísseis e muitos inimigos na tela. Sua capacidade de travar em inúmeros alvos é menor do que no Base Wing.

Vale lembrar que todos os dragões podem sofrer "upgrades" durante o jogo, aumentando o poder de fogo e a energia vital do mesmo. O correto cambiamento dos dragões é necessário para se conseguir passar de alguns trechos e, principalmente, destruir os chefes no final de cada fase.

Dragão sobre trilhos

Panzer Dragoon Orta seria brilhante se desse ao jogador a liberdade de se movimentar pelos lindos cenários em 3D. Mas não vá com muita sede ao pote, pois este é mais um jogo sobre trilhos (ou em inglês "on rails"), que possui caminhos pré-determinados e em algumas partes avança sozinho o cenário. Você deve se lembrar de jogos clássicos sobre trilhos, como o velho Rebel Assault, onde você só controlava a mira e o cenário ia se movimentando sem sua interferência.

Em PDO, este conceito foi levado bem mais adiante, e conforme dissemos, agora é possível girar o cenário em todas as direções e movimentar o seu dragão pelos quatro cantos da tela, podendo acelerá-lo ou freá-lo. Entretanto, você não pode movimentar o seu dragão para onde quiser, dar voltas no cenário ou em torno de alguns inimigos livremente.

Sua jogabilidade é bem parecida com a série Star Fox. Mas o jogo da Nintendo, mesmo o primeiro lançado para o Super NES, possuía alguns efeitos em 3D e certas liberdades na jogabilidade muito mais trabalhadas do que este lançamento da Sega. E observe que Star Fox foi lançado em 1993, dez anos atrás! É uma lástima termos nesta atual geração de consoles um jogo de tiro deste calibre que ainda seja sobre trilhos.

Certamente, este é o maior defeito conceitual de Panzer Dragoon Orta, a falta de liberdade. O jogo fica muito mecânico, previsível, e os truques usados pela Sega para disfarçar a jogabilidade "on rails" não dão muito certo. Fazer um jogo assim, entretanto, possibilita gráficos mais bonitos e tempo e custo de desenvolvimento muito menores. E foi este o caminho que a Sega optou.

Explorando o poder do Xbox

No aspecto visual é que Panzer Dragoon Orta se excede, e podemos observar a grandiosidade dos ambientes e a qualidade gráfica do jogo. Graças à memória de 64 MB presente no Xbox, podemos ver um nível de detalhes impressionante, com cenários amplos e um horizonte longínquo, impossível de ser realizado nos outros consoles. Não há "pop ups" como no primeiro jogo para o Saturn, e a qualidade das texturas e dos efeitos de luz é incrível. Na tela, dezenas de objetos se movem ao mesmo tempo, sem o menor sinal de "slowdown".

PDO parece, em muitas fases, um demo tecnológico para mostrar as capacidades gráficas do Xbox. Os chefes são o expoente dos gráficos; impressionantemente bonitos e ocupando mais espaço que a tela pode mostrar. Para derrotá-los, você tem que voar por volta (sempre lembrando que o jogo faz isso para você na maioria dos momentos) até achar seu ponto fraco, o que revela a intrincada construção em 3D dos mesmos e um nível de detalhes inacreditável.

O lado artístico de Orta é interessante, como era também o dos jogos para o Saturn, mas não necessariamente brilhante. Embora muitos possam dizer o contrário, este não é o jogo mais bem feito dos consoles da nova geração, e de maneira nenhuma o mais inspirado artisticamente. Para falar a verdade, o impacto visual de Panzer Dragoon Orta fica muito mais por conta dos efeitos de luz e da orgia de tiros e inimigos na tela.

Para acompanhar os gráficos, nada melhor do que uma trilha sonora vibrante, com músicas orquestradas que dão o tom na jogatina. Os efeitos sonoros também são muito bem produzidos, com tiros, explosões e dublagens de altíssimo nível.

O Veredicto: Panzer Dragoon Orta é um excelente jogo de tiro, realmente acima da média, mas infelizmente vai na contramão da indústria de games por ter uma jogabilidade presa, que não dá liberdade de movimentação e exploração ao jogador. É um jogo para ser curtido muito mais pelo seu visual e clima do que pela diversão e desafio.


 
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