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Duas coisas sempre foram bem claras a respeito da Tecmo: 1) Eles são bons para criar gráficos que impressionam; e 2) Se descasca muita banana lá nas dependências do estúdio Team Ninja. O que restava saber é se esta perversão gamística chamada DOA Xtreme Beach Volleyball (DOAX) presta, e sob que prisma devemos analisar tal excentricidade.
Afinal, a idéia de transformar uma série de jogos de luta em um exercício de voyeurismo digital ¿ claro, com a desculpa de estar jogando vôlei de praia ¿ é tão inesperada quanto polêmica. Estariam os mais de cem mil japoneses que fizeram de DOAX o jogo mais vendido do Xbox no oriente carentes de um bom jogo de vôlei, ou de uma boa bronha? A segunda opção é mais provável, e só ela mesma pode justificar a existência deste jogo.
Estímulo visual não falta neste que é um dos jogos mais impressionantes, graficamente, do momento (se não for o mais). E não são apenas as garotas de seios fartos e pernas bem torneadas que causam boa impressão, mas todo o cenário e efeitos especiais de qualidade quase equivalente a um "CG" não interativo. Mas tal qual o mundo das "misses" e das modelos, sobra beleza na mesma proporção em que falta conteúdo.
Zack e seu paraíso hedonista
DOAX tem uma história, e caso você se interesse, ela é mais ou menos assim: Zack, personagem de DOA3, ganhou o último torneio de luta e com o dinheiro do prêmio foi passar uns dias em Las Vegas, onde engordou ainda mais sua conta bancária. Como "bon-vivant" que é, comprou uma ilha paradisíaca e lá instalou um hotel, cassino e redes para a prática do vôlei de praia. No cenário de sonho só faltava uma coisa: mulher. Então Zack convidou as meninas de DOA para passarem uns dias por lá, sob pretexto de participarem de mais um torneio de pancadaria.
As garotas chegam à ilha e descobrem que não há torneio coisa nenhuma. Mas tudo bem, elas estão prontas para passar os melhores dias de suas vidas no paraíso hedonista de Zack, banhando-se na piscina, comprando novos biquínis e interagindo umas com as outras. Você pode bisbilhotar.
Ilha do 0x0
Parece incrível, mas nesta ilha habitada por um tarado e um bando de lésbicas não há nada de muito excitante para ser feito. Pelo menos no jogo da Tecmo, é claro. Há espaço de sobra para atividade esportiva, mas é notório que as mulheres geralmente só se interessam por coisas como patins ou bicicleta, queimada ou vôlei. Então as garotas de DOAX optaram por dar umas voltinhas na bicicleta, patinar e jogar vôlei de praia, sendo que esta última é a única atividade controlada pelo jogador.
O jogo é puro voyeurismo. Você começa escolhendo a garota com a qual vai "jogar". Diga-se de passagem, o "cast" da Tecmo é extremamente limitado no que tange ao universo da beleza. Você pode escolher entre variações de japonesas e americanas, sendo que há também uma alemã, uma inglesa (sendo a Inglaterra, reconhecidamente, um dos piores celeiros de beleza feminina no mundo), uma francesa e uma chinesa. Com exceção da francesa, as anatomias mais exuberantes do mundo estão de fora (uma ilha da fantasia ideal deveria ter suecas, eslavas e muito popozão brasileiro), mas tudo bem, pois as garotas digitais da Tecmo tendem a fugir aos padrões e são sempre muito bem siliconadas.
Escolhida a garota, o jogo se apresenta de uma forma bem sem graça: são apenas telas com menus, onde você indica onde ir e o que fazer. As opções são as seguintes:
Ir para a praia: As outras garotas podem estar aqui tomando sol e esperando o convite para uma partida de vôlei. Mas para jogar, antes você tem que fazer amizade, ou melhor, bajular a outra com presentes. Geralmente as meninas recusam convites para jogar com um sincero "NO WAY!". Caso a praia esteja deserta, sua garota vai passear, rolar na areia ou catar conchinhas enquanto diz coisas como "Ah, eu poderia viver pra sempre aqui";
Ir para a loja de acessórios: Aqui você compra bolas, bronzeador, filtro solar, óculos escuro, chapéu, boné, viseira, esmalte, tênis, tamanco, flores, relógio, enfim, todos acessórios possíveis para embelezar sua gata. Há a opção de embrulhar um item para presente, que serve para cortejar uma outra menina. Se você acertar no presente (você tem que sacar qual é o perfil daquela que irá recebê-lo), ganha uma amizade, mas se errar vai ter que ouvir algo como "Puxa, como você tem mau gosto";
Ir para a loja de biquíni: As últimas tendências da moda primavera-verão estão disponíveis para compra, de biquínis fio-dental a maiôs mais conservadores. Podem ser embrulhados para presente também;
Ir para a loja do Zack: Zack, o bronho, vende todo tipo de bugiganga ¿ jóias, coleiras, instrumentos musicais, armas de fogo (também não sei o que fazem num jogo de vôlei feminino), guloseimas e até um protótipo do Xbox. É tudo praticamente inútil, a não ser que queira dar de presente para sua parceira;
Ir para a piscina: Uma das poucas partes de DOAX com alguma interatividade. Aqui você pode pedir para a garota descansar na beira da piscina (às vezes ela apenas deita e faz um alongamento, outras pode brincar com a bóia na piscina), ou brincar de pular sobre as bóias. A brincadeira de pular, que é um dos extremos de interatividade no jogo, requer que você aperte um botão ¿ se apertar forte, ela dá um pulo longo, se apertar fraco, dá um passo para a próxima bóia. Atravessar a piscina pulando sobre as bóias (é mais fácil e simples que desfazer o nó de um biquíni) rende um prêmio em dinheiro.
Ir para a rádio: Só para escutar as músicas que tocam durante o jogo. Dá pra escolher quais você quer ouvir e com que freqüência elas serão tocadas. A trilha sonora é excelente, contando com músicas de artistas como Aswad, Spice Girls e Christina Aguilera. "Is this love" do Bob Marley toca no final do jogo;
Ir para o hotel: Aqui o dia encerra com uma ida ao cassino ou direto pra cama (sozinha, afinal é um jogo feito por japoneses conservadores). O cassino é mais um bom exemplo do design pobre de DOAX. Você pode apostar na roleta, jogar uma espécie de vídeo-poker (muito sem graça, por sinal) ou Black-Jack (provavelmente o jogo de cartas mais bobo já feito), ou torrar alguns Z$ (Zacks, a moeda do jogo) nas máquinas caça-níqueis.
A pun**** de 49 dólares
Embora seja conceitualmente muito interessante, DOAX sofre de total falta de imaginação e de uma implementação deveras preguiçosa de todos os aspectos interativos. A nata do jogo, que deveria ser o vôlei, tem a simplicidade mecânica de um desses joguinhos gratuitos em flash que você encontra na web. Só dois botões: um para passar/receber o outro para pular/atacar e quase nenhuma liberdade. O resto parece ter sido implementado às pressas quando os mãos-peludas da Tecmo perceberam que estavam criando um jogo sem qualquer substância, como é o caso das atividades no cassino (sem vida), o mini-game da piscina (quase uma seqüência não-interativa) e a espécie de "dating sim" que é a parte de fazer amizade para conseguir uma boa parceira para o vôlei (comprar um presente que acha que vai agradá-la e só). Outro elemento estratégico que parece ter sido implementado na última hora é o estado de espírito das garotas, que podem jogar o vôlei desanimadas caso você não as tenha presenteado bem ou caso você mesmo não tenha um bom desempenho nas partidas.
E para um jogo tão focado no simples voyeurismo, por que não temos um modelo 3D jogável das meninas, para podermos movimentá-las livremente pela ilha enquanto apreciamos aquela combinação de biquíni fio-dental, esmalte vermelho e sapato de salto alto que compramos na lojinha? A própria visualização das beldades está limitada aos eventos como o vôlei ou a um passeio de 10 segundos na praia, mata ou piscina. E cadê as marquinhas de biquíni? Por que não encontraram uma única utilidade para as centenas de itens (todos impecavelmente modelados) vendidos na loja do Zack, além de servirem como presentes dentro de um embrulho? Enfim, a idéia de ter as modelos de DOA em férias numa ilha paradisíaca até que provou ser bem interessante, mas a execução fracassou pela preguiça e falta de imaginação.
Na falta do que fazer, logo as meninas perdem seu "appeal" e nem mesmo um controle como este pode ser capaz de mantê-lo entusiasmado pelas picardias desta mulherada.
Este é mais um demo tecnológico que um jogo propriamente dito. Deveria ser oferecido de graça pela MS como demonstração do poder gráfico do Xbox, e não vendido a 49 dólares como um jogo comum. Na atual circunstância, é apenas a p****** mais cara que um adolescente japonês já teve.
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