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17 de maio de 2009 • 13h19

Criação de jogos é moda e tem futuro no Brasil

Taikodom é game totalmente brasileiro
Foto: Divulgação
 

O Brasil é um país em ascensão economicamente, mas nem todas as áreas estão em um nível internacional no mercado, especialmente quando falamos sobre tecnologia. Mas, vivemos uma fase de crescimento. Em São Paulo e no Sul do País, a área de desenvolvimento de jogos eletrônicos aparece como uma das tendências.

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Quem trabalha com games hoje está confiante. A Hoplon lançou no mercado recentemente o game Taikodom, primeiro jogo MMO desenvolvido inteiramente no Brasil. Mas o foco de lucros acaba sendo o exterior.

"O mercado nacional é importante e nunca será deixado em segundo plano, mas Taikodom foi desenvolvido para ser exportado, simplesmente porque sabemos que o retorno do investimento não virá só daqui de dentro, mesmo com o crescimento recente do setor de games no Brasil", disse Tarqüínio Teles, CEO da Hoplon.

O passo fundamental para o futuro da área está na formação profissional. Várias instituições disponibilizam curso de criação de jogos virtuais e os brasileiros estão fazendo cada vez mais bonito nos campeonatos de desenvolvimento internacionais, como o XNA Challenge, da Microsoft.

Mas ainda falta mão de obra qualificada. "O nível dos programadores, games designers e criadores visuais no Brasil é muito bom, mas só recentemente apareceram cursos de desenvolvimento de games. Por causa disso, é muito comum as vagas serem preenchidas por profissionais de áreas correlatas e daí se destaca quem tiver mais experiência profissional, vontade de aprender e capacidade de se manter atualizado", disse Tarqüínio.

Nas universidades a procura pelos cursos é grande, mas nem todos os alunos têm a real noção do que vão encontrar. "Ao contrário do que muita gente pensa, os cursos de jogos digitais envolvem muitas disciplinas teóricas, como psicologia, história da arte, design, história e fundamentos dos jogos e, em alguns casos, até filosofia. Ninguém começa botando a mão na massa e desenvolvendo o próximo GTA. Aliás, esse é um dos maiores problemas enfrentados pelos professores. É preciso fazer com que os alunos se desprendam de seus jogos favoritos e aceitem a realidade. Ninguém desenvolverá um GTA, um Halo ou um Gears of War no Brasil. Pelo menos, não nos próximos 10 anos. Então é preciso que eles compreendam que o mercado de jogos é muito mais do que isso. Que às vezes o melhor exemplo de game design vem dos jogos mais simples. Nem sempre pensar grande é sinônimo de sucesso", diz o professor de Teoria dos Jogos do curso de Jogos Digitais da FMU e bacharel em Design Digital Henrique Sampaio.

O curso de jogos digitais aborda muitas áreas e para o aluno ter maior facilidade de ingressar no mercado é mais aconselhável se especializar em algo, pois é muito difícil ter um bom nível de conhecimento em tudo.

Muitas pessoas que se formam hoje pensam em trabalhar fora. Caio Cesar Faria Araujo Lima é programador e foi o vencedor da XNA Challange de 2009. O rapaz não esconde quais suas pretensões para quando formado. "Quero trabalhar fora, pois dá mais dinheiro. Aqui o mercado ainda é pequeno", admitiu.

As oportunidades para os criadores nacionais realmente aparecem mais fora do país. A Gameloft, empresa líder em criação de jogos para celular, tem seu estúdio na Argentina e conta cinco brasileiros em sua equipe.

"Algumas das maiores empresas de desenvolvimento do mundo são: Nintendo, Sony, Microsoft, Electronic Arts - que além de atuar no Brasil como distribuidora, também desenvolve jogos para celular por aqui - Activision Blizzard, Ubisoft, Capcom, dentre muitas outras. No Brasil, além das já citadas, temos algumas empresas genuinamente brasileiras que há um tempo vem ganhando destaque pelos seus projetos, como a Hoplon, Abdução, Southlogic", destaca Sampaio.

A remuneração inicial da área é mediana. "Depende muito da área de atuação. Um programador pode ganhar mais que um ilustrador ou animador, que tem maior salário que game tester. Mas em geral, não espere ganhar mais do que R$1.500 em seu primeiro ano de atuação", diz o professor Henrique.

Na Gameloft, os criadores pode começar por três vias diferentes: designers, artistas gráficos ou programadores, cada uma com seus níveis hierárquicos para que se desenvolva.

Quem não consegue entrar exatamente na área de desenvolvimento de jogos, pode aproveitar o curso e se voltar para outras áreas da arte digital. O aluno aprende a usar programas como Photoshop, Flash e Maya - de modelagem e animação em 3D -, o que ajuda no ingresso da carreira publicitária, por exemplo.

O que as empresas procuram
Como em qualquer área, o QI é diferencial. Na Gameloft, a preferência é dada para profissionais indicados por outros que já estejam na empresa, o que não anula as chances de bons programadores sem contatos.

Um segundo idioma, em especial o inglês, e vontade também ajudam na hora da seleção.

Confira o processo de seleção da empresa:
Primeiramente é necessário que a pessoa interessada em trabalhar na Gameloft envie o currículo. Os próximos passos são:
- Filtragem do perfil requerido
- Aprovação em um teste técnico (todas as áreas operacionais têm um teste de conhecimentos técnicos, que é necessário que o candidato seja aprovado para continuar no processo seletivo. Alguns testes são corrigidos diretamente com o pessoal do estúdio de Buenos Aires e outros dependem da aprovação do estúdio de Paris, como artistas, GD, tradutores etc)
- Entrevista com RH pessoal e um representante da área. A Gameloft prioriza os candidatos recomendados por pessoas que já trabalham na empresa
- Quanto aos requisitos em comum de todas as áreas, são: falar inglês, ter predisposição de trabalhar em grupo, interesse e paixão por jogos para celular e autogestão

Taikodom
O game MMO - jogado por muitas pessoas ao mesmo tempo online - é o primeiro do tipo a ser produzido totalmente no Brasil. A desenvolvedora do jogo é a empresa Hoplon,de Florianópolis, Santa Catarina.

Ele foi lançado em outubro de 2008 e em abril completou seis meses no ar. Tarqüínio Teles, CEO da empresa, conversou com o Terra sobre esse jogo tupiniquim.

Quais são os números do jogo? Quantas pessoas baixaram? Quantos usuários regulares vocês contam em seu servidor? Qual o perfil dos jogadores?
Não podemos divulgar a quantidade de jogadores, mas estamos com um crescimento dentro do planejado para os seis meses no mercado e para o âmbito nacional, que é nossa estratégia agora. O perfil do jogador do Taikodom é jovem adulto, que é nosso alvo, e predominantemente do sexo masculino, que esperamos equilibrar um pouco mais com o feminino.

Os resultados estão dentro do esperado? Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando?
Os resultados têm sido bastante bons e de certa forma até ultrapassaram nossas previsões no que diz respeito à porcentagem de usuários pagantes, proporção de adultos etc. Tivemos dificuldades iniciais, é verdade, causadas em parte pelo desafio de desenvolver um game do porte do Taikodom, mas agora estamos com um jogo bem mais fluido.

Quais os meios de publicidade que estão utilizando? Quais os meios de renda? Por onde faturam?
A principal fonte de receita do game é a venda de planos de afiliação e de hoplons. O primeiro permite que o jogador tenha acesso a nodos restritos, passagem por atalhos entre nodos, entre outras vantagens. Os hoplons são uma espécie de moeda intermediária do game e que podem ser usados para comprar naves e itens diferenciados ou trocado por taéis, que é a moeda corrente do Taikodom.
O game também está sendo preparado para receber anúncios in-game, que não interrompam a imersão e sejam contextualizados com o universo ficcional do jogo.
Além disso, o universo ficcional do Taikodom se desdobra em outras mídias. Já lançamos dois livros, Taikodom: Despertar, do João Marcelo Beraldo, e Taikodom: Crônicas, de Gerson Lodi-Ribeiro, os dois pela editora Devir, e a história em quadrinhos Eterno Retorno está em processo de finalização.

Qual o ritmo de atualização?
Tivemos atualizações maiores um pouco depois do lançamento, com adição de novas funcionalidades, e agora temos feito correções e aperfeiçoamentos menores de forma a preparar o game para dar os próximos passos.

Quais os próximos passos?
Vamos continuar com o aperfeiçoamento do game de ação durante os próximos meses e prepará-lo para que possa ser lançado internacionalmente.

Terra